sexta-feira, 9 de novembro de 2018

GUIA INSTANTÂNEO DE INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA.

Passeando pelo meu e-mail, descobri que tinha escrito esse guia há nada menos que 4 anos atrás. Como tenho algumas dúzias de textos escritos pela metade e guardados, estou fazendo um esforço de completá-los e divulgá-los, pois por algum motivo sobrenatural alguns de vocês gostam do que eu escrevo. O 1o texto está logo abaixo, segue:

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Em um belo dia eu fiquei pensando: será que é possível ensinar ao brasileiro, um povo burro (e mais estúpido ainda em questão de finanças) a obter a independência financeira em um texto hiper-conciso, a ser assimilado de forma fácil e rápida? 


O resultado dessa minha dúvida está aí: O Guia Instantâneo de Independência Financeira Viver de Renda. Trata-se de um texto bem compacto, mas com informações suficientes pra tornar qualquer pessoa independente financeiramente de forma rápida, prática, barata (R$0,00) e sem enrolação.

Vale ressaltar que nenhuma da sabedoria contida no texto é minha: são todas idéias de pessoas mais inteligentes e cultas que eu, como Bogle, Ferri, Swedroe, Graham, Bernstein, etc.

Pensando em facilitar ao máximo a divulgação do texto com objetivo exclusivo de minimizar a ignorância financeira no Brasil, criei uma versão em PDF que pode ser baixada AQUI.

Sem mais delongas, segue o texto:

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Esse texto é um guia. Como todo guia, possui natureza prática, de forma que aqui você não encontrará discussões filosóficas ou encheção de linguiça. Ao final do texto você será mais eficiente em investimentos e como adquirir a independência financeira do que 99% da população brasileira (o que não é muito, frise-se). Para tanto, basta você seguir FIELMENTE os 15 passos que este guia contém. Você pode ser questionado, talvez até ridicularizado, mas a única certeza é que, seguindo os passos desse guia, você se tornará RICO e, mais importante, INDEPENDENTE FINANCEIRAMENTE.


Passo 1: GASTE MENOS DO QUE VOCÊ GANHA. Para você ser independente financeiramente, você precisa de duas coisas: dinheiro e tempo. Quanto mais tempo e quanto mais dinheiro, melhor. Portanto, você deve se conscientizar do principal: QUANTO MAIS VOCÊ ECONOMIZAR, MAIS RÁPIDO VOCÊ SE TORNARÁ INDEPENDENTE.

Passo 2: COMECE O MAIS CEDO POSSÍVEL. A relação entre tempo e riqueza é exponencial. A uma taxa de 12% ao ano, começar 4 anos mais cedo significa que você será 50% mais rico ao final. Portanto, comece a investir ONTEM.

Passo 3: ENTENDA COMO FUNCIONAM OS JUROS COMPOSTOS: Os juros compostos são os mecanismos básicos de criação de riqueza, e você, antes de investir, tem de entender por que ao final de uma vida 85-90% de um portfólio é juro composto e 10-15% é suor (economias). Como falei acima, se dinheiro e tempo são as duas variáveis básicas da independência financeira, o juro composto é o modo como um se relaciona com o outro.

Passo 4: FAÇA UM COLCHÃO DE SEGURANÇA COM 3-6 MESES DOS SEUS GASTOS LÍQUIDOS. Merdas acontecem, quase sempre sem aviso. Com um colchão de segurança você estará mais preparado e principalmente mais tranquilo para enfrentar as caneladas que a vida te dará.

Passo 5: AUMENTE A SUA RENDA. Uma pessoa pode tranquilamente se aposentar com 1 milhão de reais aportando R$100,00 por mês. Basta investir por 65 anos a uma taxa de retorno real de 0.5% a.m. Se o aporte passar a R$1000,00, são 30 anos e, com R$5.000,00, chega-se lá em 11 anos e meio. Portanto, quanto mais se ganha mais fácil será aportar valores maiores e mais rapidamente você será rico.

Passo 6: NÃO EXTRAPOLE AO COMPRAR CASA E CARRO. Todo mundo quer ter uma BMW (Bring My Wallet) e morar numa mansão. Esses dois bens, junto com o divórcio (sem separação de bens), são as armas de destruição em massa da sua independência financeira. Compre ambos de forma que você ainda consiga aportar de forma confortável, caso contrário a caminhada ao topo será muito mais árdua e, pior, auto-infligida.  

Passo 7: INVISTA SUA IDADE EM RENDA FIXA, 10% EM IMÓVEIS E O RESTO EM AÇÕES. Esse portfólio, apesar de genérico, é extremamente poderoso, pelos seguintes motivos:
1- Você está investido em 3 classes diferentes de ativos, garantindo maior diversificação
2- A medida que você envelhecer e seu portfólio crescer a volatilidade dele irá diminuir
3- Ótima relação risco/retorno, com ações sendo o carro chefe do crescimento

Passo 8: NÃO INVISTA EM AÇÕES INDIVIDUAIS OU FUNDOS DE BANCO. USE APENAS ETFs. Ações individuais são complicadas de se gerir de forma adequada, e abrem ao investidor uma quantidade gigantesca de abominações que são péssimas para ele: análise técnica, contínuas corretagens, sub-diversificação (possuir menos de 20 ações não faz qualquer sentido pra 99,99% dos portfolios), day-trades, lançamento de opções, etc. Já os fundos de bancos são caríssimos e dignos de piada. Ao invés disso, invista em um fundo de índice como PIBB ou BOVA que são baratos e extremamente eficazes em crescer o seu portfolio.

Passo 9: INVISTA NO TESOURO DIRETO OU EM CDBs DE BANCOS MÉDIOS. Na parte de renda fixa, esqueça poupança ou fundos de renda fixa. Use o tesouro direto, que além de possibilitar um maior retorno é muito mais barato que 99% dos fundos de renda fixa por aí. Quanto aos títulos em si, você pode dividir 33% Pré-fixados (LTN ou NTNF), 33% Pré+Pós (NTNB) e 33% Pós (LFT). Se quiser um pouco mais retorno em troca de um pouco mais de trabalho e uma pitada a mais de risco, adquira CDBs de bancos médios tipo Inter, Sofisa, etc., que te pagarão 1-2% a.a. a mais que o tesouro.

Passo 10: INVISTA EM FIIs. Investimento em imóveis de forma direta significa falta de diversificação e tributação ineficiente. Prefira FIIs, que são seguros, com tributação eficiente e com ótima relação risco/retorno.

Passo 11: CUSTOS IMPORTAM. MUITO. Corretagem, impostos e taxas de administração são as formas que as corretoras, o governo e os bancos criaram de separar seu suadíssimo dinheiro de você. Portanto, um custo aparentemente pequeno composto ao longo dos anos (passo 3 se aplica aqui) tem um efeito devastador na sua riqueza. Para se ter uma idéia, uma taxa de administração de 1,5% ao ano significa que você será aproximadamente 34% mais pobre ao final de 30 anos.

Passo 12: NÃO INVISTA EM PREVIDÊNCIA PRIVADA. Enquanto os fundos de previdência privada não custarem menos que 0,5% ao ano os mesmos te deixarão menos rico que o portfólio do passo 4. Os 12% de diferimento fiscal do PGBL não são suficientes para tornar a previdência privada atrativa.

Passo 13: REBALANCEIE NÃO MAIS QUE ANUALMENTE. Rebalancear significa manter a proporção dos investimentos descrita no passo 7. São dois os motivos desse passo:
1- É um método automático de se vender na alta e comprar na baixa
2- Manter a volatilidade e retorno em níveis aceitáveis.

Passo 14: CRISES VIRÃO. MANTENHA O CURSO. Uma vida é um tempo suficientemente longo para se presenciar várias crises, tanto nacionais quanto mundiais. No século XX os EUA passaram por duas guerras mundiais, diversas catástrofes naturais, uma crise inflacionária e uma recessão colossal. Ainda assim, a bolsa americana cresceu durante o período em média 10% ao ano. Portanto, siga a disciplina e continue investindo mesmo que haja sangue nas ruas.

Passo 15: AO OBTER A INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA, NÃO GASTE MAIS QUE 4% DO SEU PORTFÓLIO INICIAL AO ANO. Pode parecer pouco, mas caso você gaste mais do que 4% ao ano, corrigido pela inflação, existe um risco substancial de você terminar falido em até 30 anos. O valor não pode ser maior por conta da inflação e dos inevitáveis mercados de baixa.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Mensagem de Agradecimento

Pessoal, queria agradecer a vocês pelo excelente feedback que tive nos comentários! Não esperava nem de longe ter uma resposta tão positiva, então resolvi responder os comentários em um novo post para ter maior visibilidade e poder discorrer um pouco mais.

Conforme já dito nos comentários, estou utilizando a corretora Interactive Brokers. Pago 5 dólares por compra e até pouco tempo atrás pagava $10,00 de tarifa de manutenção, que é convertida em "consumação" com as corretagens, então equivale a pagar $10,00 por mês e ter duas corretagens de graça. Como passei dos $100k eu não pago mais essa tarifa. Não tenho nada a reclamar da corretora, cheguei a usar o helpdesk deles e fui atendido muito bem online.

Sinceramente eu nunca pensei nessa parte de aceitar doações via bitcoin, vou colocar um endereço e tentar utilizar todo o valor doado no blog, seja através de postagens minhas sobre algum tema que vocês ou o doador sugira, host e endereço profissionais, etc.

Sobre o meu trabalho que alguns perguntaram, não é algo tão simples pois envolvem e afetam mais pessoas do que apenas a mim, fica difícil detalhar mais do que isso sem me expor. É definitivamente um problema de "algemas douradas", mas está nos meus planos ir reduzindo o ritmo até parar no curto-médio prazo. Não estou aguardando chegar a nenhum valor X, o valor que eu possuo hoje é mais do que suficiente para eu me aposentar.

Sobre aportes aqui no Brasil, no geral Max respondeu muito bem, e é exatamente aquilo que toda a informação que temos hoje sobre o futuro já está precificada. A expectativa positiva com a vitória do Bolsonaro já foi precificada, inclusive a chance das reformas não darem certo. Como os mercados são bastante eficientes as pessoas já compram e vendem refletindo as expectativas presentes e futuras. Mas a maior razão de eu não aportar mais basicamente nada no Brasil é por conta da baixa utilidade marginal que o dinheiro possui pra mim hoje. Apenas os juros do TD já conseguem me manter, e com alguma folga ainda. Como eu falei no último post está sobrando dinheiro todo mês e sinceramente não tenho mais onde gastar, minha vida hoje tem 0 de restrição por fatores financeiros, então todo dinheiro que eu receba vai ser investido para que eu não nunca perca essa fonte mínima de renda, no caso o único cenário factível disso acontecer seria com a venezuelização do Brasil seguido de um calote na dívida interna e/ou hiperinflação.

Sobre alocação tática, acredito sim na estratégia, tanto que fiz isso com minha alocação em mercados emergentes no exterior, devido ao CAPE menor. Sinceramente é mais algo pra me satisfazer psicologicamente do que realmente ter uma diferença significativa nos retornos. Tudo isso, claro, são meras expectativas, pois investimento em renda variável não é muito diferente de se fazer apostas a seu favor, mas sem nenhuma garantia de resultado.

Sobre investimento conservador no exterior, não dá pra ir além da renda fixa, e prepare-se pra ter retornos extremamente baixos se você busca liquidez. O money market do BBA oferece irrisórios 0,7%a.a. e ETFs curtos de renda fixa não renderão muito além disso.

Sobre os ETFs que eu investi lá fora, eu já escrevi sobre isso no meu post sobre Estratégias para Investimentos Internacionais, a única diferença é que ao invés de usar o IFSW eu utilizei 4 ETFs individuais por conta principalmente da liquidez quase nula do IFSW e em menor grau pela tx. de adm. um pouco menor (0,3% vs 0,5%). Eu estava decidido a investir em EMMV, mas na hora H resolvi ir no "padrão" do EIMI mesmo pela liquidez maior.

Quanto ao texto do Lobo Branco, discordo totalmente. Não existe exploração em comércio, todo comércio por definição é voluntário e ambas as partes saem melhores do que antes da transação. Guerras comerciais via de regra prejudicam ambos os países como é o caso atual dos EUA-China. Por outro lado acho que existem diversos outros fatores que afetam o desenvolvimento de uma nação, sendo a liberdade econômica o principal deles, mas sendo um fenômeno complexo sofre influência de diversas variáveis, inclusive QI, raça, etc.

Quem quiser se comunicar diretamente comigo meu e-mail é aposentado42@gmail.com 

É isso pessoal, mais uma vez muito obrigado pelas boas vindas, foi algo que realmente me tocou, não esperava isso tudo!

sábado, 3 de novembro de 2018

Atualização Mensal: Outubro 2018: R$6.343.671,92

Após muitos e muitos meses de desleixo, preguiça e letargia, finalmente obtive motivação suficiente pra fazer mais uma atualização mensal com a chegada da nova era (tá mais pra anual, mas ok).

Nesses 10 meses em termos pessoais pouca coisa mudou: continuei trabalhando num nível de stress moderado a alto, fiz 3 viagens (todas aqui no Brasil mesmo, sempre no Sul-Sudeste, sendo uma exclusivamente a lazer), ajeitei 95% do apartamento e, no geral, posso dizer que foram bons meses. Estou melhor de saúde e posso dizer que modifiquei um pouco a forma que lido com dinheiro. Hoje eu não faço mais orçamentos mensais, nem tenho mais metas rígidas de investimentos e principalmente parei de me estressar com o preço das coisas.

Apesar de todo esse relaxamento, continuo investindo bastante. Posso dizer que hoje eu possuo pouquíssimas aspirações materiais. Seja moradia, veículo, roupas, eletrônicos, hoje não tenho a menor pretensão de fazer nenhum "upgrade" no curto e médio prazo. O resultado disso é que o dinheiro continua sobrando e continuo a fazer aportes de R$10.000,00-R$20.000,00 mensais, fora o rendimento dos investimentos. Como já falei aqui mais de uma vez, estou num ponto que a rentabilidade do meu portfólio hoje tem uma importância MUITO maior que qualquer aporte que eu faça. Um aporte de R$15.000,00 representa meros 0,23% no meu portfólio.

Falando em portfólio, nesses 10 meses caí de R$7.400.000,00 pra ~R$6.350.000,00, largamente pela queda substancial no preço do bitcoin que, apesar das inúmeras pequenas vendas que fiz (não tenho anotado, mas imagino que vendi cerca de 4-6 bitcoins nesses meses) ainda estou com cerca de 4 bitcoins a mais que 10 meses atrás, tudo por conta dos inúmeros forks que o bitcoin sofreu e a depender da época eu transformava em dólar ou convertia em bitcoin.

Apesar dessa queda, meu portfólio está num patamar extremamente confortável. Nesses 10 meses minhas NTN-Bs aumentaram R$130.000,00, fora os 2 pagamentos de cupons. Estou com R$180.000,00 a mais de CDBs (comprei uma parte em pré a 15% a.a., resto foi valorização) e aumentei em R$340.000,00 os investimentos que fiz no exterior. Com esses aportes e pela queda do bitcoin, consegui reduzir o percentual em bitcoin de 45% pra 25%. Segue o portfólio atualizado (valor da NTNB está desatualizado mas o valor de R$2.747.000,00 reflete o preço atual):




Os investimentos internacionais estão divididos da seguinte forma, valores em dólares:

$56.6k em uma corretora de bitcoin, irei transferir esse valor pros EUA.
$10k no BBA rendendo 1.8% ao ano para evitar a cobrança de tarifa de manutenção mensal.
$19k IWQU
$22k IWMO
$22.6k IWVL
$19k MVOL
$21.5k EIMI

Todos esses ETFs, tirando o EIMI, investem em um único fator de risco (respectivamente: qualidade, momentum, valor, volatilidade). Como tem sido o retorno esse ano desses fundos quando comparados com seus similares?

IWQU 5.81%
IWMO 13.97%
IWVL -0,56%
MVOL 5.05%

O IWDA, que é um fundo neutro, teve retorno de 5.03%. Na média, uma overperformance de 1% até então. 
Já o EIMI teve um retorno negativo de -8.12% enquanto que o EMMV (volatilidade mínima) teve retorno negativo de -1.21%. É bom deixar bem claro que os fatores de risco em si possuem bastante volatilidade, necessitando de muitos anos para alcançar uma probabilidade maior de overperformance.

Minha idéia é continuar aportando nesses ETFs fazendo a alocação de ativos previamente acordada: 60% entre IWQU, IWMO, IWVL, MVOL, 20% em EIMI e 20% em renda fixa LQDA. Ainda não investi no LQDA pois estou com os dólares na corretora de bitcoin fazendo seu papel de renda fixa, que como já falei irei transferir para os EUA e distribuir da forma acima.

A idéia é, até a aposentadoria, eu possuir 50% dos ativos sem qualquer correlação com o Brasil. Hoje esse valor está em 35% (25% bitcoin 10% investimentos no exterior).

Para os próximos meses, o trabalho de "formiguinha" irá continuar: aportes regulares, distanciamento paulatino do risco Brasil e nunca deixando de aproveitar a vida, até porque a lembrança "memento mori" está mais relevante do que nunca com o falecimento do nosso colega Viver de Construção. Fiquei bastante abalado ao saber da morte dele. É a lembrança que a catástrofe pode acontecer a qualquer momento e que o dinheiro é um mero meio para um fim. Todos os aportes que ele tanto comemorava foram inúteis para si, que será devidamente gasto pela sua esposa e a nova família que ela irá formar.

Fica aqui, portanto, a velha dica de sempre: invistam para o futuro, mas não deixem de aproveitar o presente. Devemos construir hoje a vida que queremos para então economizarmos para ela. Não devemos investir pelo dinheiro, mas pelo estilo de vida que esse dinheiro pode nos proporcionar!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Atualização Mensal: Dezembro 2017: R$7.436.313,63 + Pausa nas atualizações

Dezembro foi um mês que era pra ser extremamente movimentado mas que quase nada aconteceu. Aportei mais um pouco (tudo para a conta do BB Americas), finalmente iniciei a transferência dos dólares para o Interactive Brokers e vendi um pouco de BTC (0.15 por ~10k). TD subiu, dólar subiu, BTC subiu, CDBs subiram e como resultado consegui novamente aumentar o patrimônio em cerca de R$1.000.000,00 mesmo tendo aportado  "apenas" ~R$15.000,00. Segue a tabela atualizada:

A decisão de ir vendendo os BTCs permanece. Esse início de mês já vendi mais 0.4 BTC por uns 20k e devo vender mais 0.4 ainda esse mês. Esses valores são "brindes" dos inúmeros forks do BTC, daí meu valor permanecer o mesmo. A idéia é ir me desfazendo dos BTCs desde que o preço fique acima dos $10k.

Segue a tabela de gastos mensais:


Muitos gastos com presentes e com o apartamento (boa parte do "extra" são gastos indiretos com o apartamento), janeiro deve ser um mês muito mais tranquilo pois devo gastar bem menos com lazer, alimentação, presentes e compra de eletrônicos (não pretendo comprar nada esse ano).



Verifiquei que várias pessoas utilizaram o serviço do Remessa Online através do meu link (http://bit.ly/2v806ZR) ou através do cupom "viverderenda" ao efetuar a remessa, o que dá um desconto de 30% no spread na 1a operação! A vocês meu muito obrigado, eu também utilizo do serviço de forma concomitante com o BB Americas e realmente tem sido bem prático e rápido.

Após pensar bastante resolvi suspender as atualizações mensais. Além de não adicionarem valor quase nenhum para quem lê, com as últimas subidas do patrimônio tem atraído um pessoal que não tem nenhum outro interesse além de ver uma eventual derrocada minha. Quem sabe isso me motivará mais a fazer posts com conteúdo de verdade. No entanto, fica aqui uma previsão do que farei financeiramente em 2018:

  1.  Continuarei a aportar R$10.000,00-20.000,00 por mês.
  2.  Aportarei integralmente os juros das NTN-Bs 2050.
  3.  Irei vender paulatinamente os BTCs.
  4. Todo aporte será direcionado ao exterior para investimentos em ETFs de ações e bonds no Interactive Brokers.
  5. Todo vencimento em 2018 dos meus CDBs irei mandar ao exterior tanto por conta do novo limite de R$1.000.000,00 do FGC quanto para diminuir o valor no Brasil ( A idéia é ficar 50%-50% Brasil-Exterior)


No mais, o foco em 2018 para mim não é financeiro. Quero curtir mais a família, minha mulher, viajar um pouco (a demora na atualização foi por conta de uma viagem de fim de ano que fiz com a família), finalizar o apartamento (que modestamente está top), jogar mais, me preocupar menos e cuidar da saúde. O "endgame" chegou.

Pra galera da "produtividade", está aí minha meta pra 2018!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Atualização Mensal: Novembro 2017: R$6.444.870,16

Que mês, meus amigos, que mês. Do início da minha jornada financeira até meu primeiro milhão foram quase 5 anos de muita economia e sacrifícios. Hoje, em apenas um mês e graças a uma fezinha que eu fiz alguns anos atrás, hoje meu patrimônio subiu mais de um "fucking" milhão em apenas um mês.

É mais do que óbvio que o beta turbinado do bitcoin pode tirar esse milhão com a mesma facilidade que ele deu, mas a realidade é uma só: hoje tenho praticamente R$6.500.000,00, valor totalmente desnecessário e excessivo pro meu padrão de vida.

O que fazer? Diversificar do bitcoin pra ativos menos voláteis é um plano óbvio e seguro. Trava-se os ganhos, se subir não irá fazer diferença pro meu padrão de vida, se cair posso sentir falta desses ganhos.

Essa medida já está em ação. Ganhei cerca de 3 bitcoins da venda do bitcoin gold (lixo) que foram dados a quem possuía bitcoin, desses 3 vendi 0.5 e transformei em dólar. Pretendo vender mais 0.5btc esse mês caso o btc se mantenha acima dos U$10.000,00.

Fiz umas atualizações na tabela colocando diversas TSRs pra me guiar de quanto que eu posso gastar livremente. Segue: 




A idéia é mandar cada vez mais grana para o exterior. Finalmente consegui abrir a conta no BB Americas e a experiência, no melhor dos casos, foi traumática. Foram 4 visitas ao BB, duas reclamações no SAC, uma senha bloqueada sem motivo e muito stress desnecessário por pura burocracia burra desse banco escroto. Hoje vejo muito claramente que serviços como o Remessa Online, apesar de minimamente mais caros, são muito mais tranquilos, ágeis e com melhor atendimento. Inclusive irei usar o serviço deles pra mandar dólares pra conta do BBA por questão de limite imposto pelo BB. 

Eu ando meio desapontado comigo mesmo com relação ao blog. De vez em quando algum leitor puxa minha orelha de que nunca mais escrevi algo realmente com conteúdo e sim, leitor, você tem toda a razão. Isso aqui nunca foi um lugar pra servir de mero diário pra satisfazer o ímpeto voyeurístico de alguns, mas um farol de informações relevantes nesse mar de lixo que é a internet brasileira. Até mesmo o Remessa Online entrou em contato comigo para publicação de post com indicação do serviço deles (muito bom, diga-se dipassagi), e até hoje não tive o saco pra fazer isso (por sinal, quem quiser 30% de desconto na primeira transferência, só acessar o site deles por esse link: http://bit.ly/2v806ZR ou utilize o cupom viverderenda).

Voltando a assuntos mais mundanos, segue a tabela de gastos:



Como já tinha previsto, esse mês os gastos vieram muito acima do normal, com despesas com consertos e upgrade no meu PC, além de aumento no plano de saúde e malditas taxas extras no condomínio. Irei aumentar meu orçamento de forma substancial daqui pra frente, com um orçamento maior pra compras, saídas, viagens, extras e mercado, totalizando cerca de R$8.500,00. Muito provavelmente ficarei abaixo disso, mas senti que já estava estourando rotineiramente a parte de extra e de lazer, além de que pretendo viajar ano que vem.

Vejam que, apesar do aumento significativo, esse valor ainda equivale a uma TSR de cerca de 1,5% hoje. Estou bem atento ao "lifestyle creep" e definitivamente não pretendo fazer esses aumentos de forma rotineira. Além de ser uma recompensa ao aumento significativo do patrimônio dentro de padrões totalmente aceitáveis e seguros, pretendo na prática ficar razoavelmente aquém do valor estipulado.

Até a próxima!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ATUALIZAÇÃO MENSAL COMEMORATIVA: OUTUBRO 2017: ULTRAPASSADOS OS R$5.000.000,00!!!





É uma sensação surreal o que tem acontecido comigo financeiramente nos últimos meses. Lembro bem em 2008, voltando a morar com meu pais após o término de um relacionamento desastroso e uma conta bancária com R$5.000,00, mais R$50,00 no bolso e a cabeça cheia de idéias e motivação. Como é natural dessa fase inicial, em muitos momentos eu imaginava (pra não dizer fantasiava!) como seria minha vida no futuro e qual o patrimônio que eu teria, mas nem nas fantasias mais loucas eu imaginava 9 anos depois ultrapassar a quantia dos R$5.000.000,00 com quase R$20.000,00 de gastos possíveis mensais efetivamente ad eternum.

Esse é um post comemorativo. E merecido. Assim como César fez em frente ao senado romano, posso conclamar em frente a vocês as mesmas palavras: "Veni, vidi, vici!"

O improvável protagonista dessa história é o BITCOIN. Conhecido em 2010 casualmente, cheguei a minerar a moeda por alguns minutos no computador do escritório e logo parei por estar esquentando demais o notebook, sendo que só fui efetivamente comprar a moeda em 2014. Foram comprados cerca de R$50.000,00 por sugestão de meu melhor amigo que, visionário, possui hoje mais de 1000 bitcoins. Ele sim pode limpar a bunda com nota de R$100,00 pro resto da vida. A ele fica aqui meu muito obrigado!

O racional dessa alta é, além do fork que haverá em novembro sugando o dinheiro das demais altcoins, o fato de que bitcoin está se tornando mainstream. O case é de se tornar uma reserva de valor similar, mas superior, ao ouro e, em menor grau, um meio de pagamento. Com anonimato, completa proteção de qualquer intervenção estatal e emissão limitada, mais todo o efeito rede que já existe em torno da moeda, não é completamente louco imaginar o bitcoin tomando o lugar do ouro no médio/longo prazo.

Sem mais delongas, segue a tabela de outubro:





Os R$5.000.000,00 foram rompidos com muita força e meu patrimônio hoje ultrapassa os R$5.300.000,00. Isso é muito, mas muito mais do que preciso. Por outro lado, minha conta no BB Americas ATÉ HOJE não foi aberta graças à burocracia IMBECIL do Banco do Brasil que exige 90 dias de abertura de conta pra operações de câmbio, "BECAUSE FUCK YOU". Pra chutar o cachorro morto, ainda bloquearam minha senha e exigem que eu desbloqueie, mesmo em caixa eletrônio, durante o horário comercial bancário. Inacreditável. Como as coisas andam movimentadas no trabalho, só vou conseguir fazer isso nessa sexta. Obrigado por atrapalhar minha vida, Banco do Brasil!

Por sorte eu tinha transformado a maioria dos reais em dólares numa corretora estrangeira de bitcoin e consegui pegar uma cotação de R$3,10-3,20.

No trabalho as coisas andam muito bem, o stress diminuiu um pouco e consegui aportar R$20k em outubro e aportarei mais R$20k em novembro. Necessidade desses aportes violentos? 0.

Seguem os gastos mensais:






Gastos estouraram esse mês por conta da revisão anual no veículo mais o pagamento de duas multas. Falando em carro, estou impressionado com o aumento de preço que houve em todos os veículos nos últimos anos! Engraçado que comprei o meu levemente usado por um pouco menos de R$70.000,00, hoje vale R$50.000,00 e imagino que um novo no mesmo perfil não saia por menos de R$100.000,00. Ou seja, teria que colocar quase R$50.000,00 se quisesse trocar de carro hoje, o que é algo totalmente fora de cogitação. Lembrem sempre pessoal, imóvel, carro e mulher geralmente são os maiores vilões financeiros cujos gastos muitas vezes são ocultos.

Mês que vem os gastos virão totalmente estourados. Irei fazer 2 viagens ano que vem e já devo começar a pagar as passagens. Além disso farei um upgrade poderoso no PC (Geforce 1080 Ti + TV/Monitor 4k). Por outro lado tive uma receita totalmente inesperada de quase R$5.000,00 que vai pagar por essa extravagância. E se achar ruim ainda compro mais na black friday!

Bem pessoal, obviamente essa atualização tem um tom bem jocoso, eu sei que o bitcoin pode muito bem cair 90% e acho que a possibilidade de meu portfólio se aventurar em mares "sub-5M" novamente bem razoáveis, mas por outro lado estou cansado de estar sempre "cautelosamente otimista" numa perspectiva 100% racional. Sei que essa alta do bitcoin não vai durar para sempre, mas até lá irei curtir cada segundo dela. Pra quem ainda não investiu no bitcoin, vai o recado como comprar:



E qual é o meu "endgame" pro bitcoin?



Até a próxima!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Atualização Mensal: Setembro 2017: R$4.822.512,09

Bem pessoal, peço desculpas mas estou sem muito pique pra escrever esses dias. O bitcoin deu uma queda segura o que refletiu na queda do patrimônio. Além disso o BB está recusando a fazer minha operação de câmbio pelo fato da minha conta ser muito recente, IDIOTICE típica de banco público que merece se ferrar. Por conta disso a grana continua na poupança aguardando o prazo pra que eu possa finalmente transferir o $. 

Seguem as tabelas:








Esse mês terei gastos bem elevados pois vou pagar a manutenção anual do carro, 2 multas de trânsito e o conserto do subwoofer do Home Theater que vai sair uns R$400-500,00. Nos últimos 3 meses tive que consertar/trocar celular, celular backup, placa de vídeo, placa mãe, ar condicionado, subwoofer, chuveiro elétrico, torneira, tá foda. 

É isso pessoal, sem grandes novidades, também sem muita disposição pra escrever, "batendo ponto" mesmo. Até a próxima!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Atualização Mensal: Agosto 2017: R$4.946.213,97

BITCOIN BITCOIN BITCOIN BITCOIN. Esse deveria ser o título do post de hoje. A moeda digital apresenta um vigor sem fim, estava valendo R$9.100,00 mês passado e hoje vale R$17.800,00, com um ágio absurdo, é verdade, mas ainda assim é um aumento pra lá de violento.

Ganhei mais alguns bitcoins graças à venda dos Bitcoin Cash que possuía a 0.10 cada. Portanto, por conta quase que exclusivamente ao Bitcoin, meu patrimônio subiu acima de R$500.000,00 e já estou bem próximo aos R$5.000.000,00, que é um número que não esperava chegar tão cedo. Ainda não tenho estratégia de saída pro BTC, é algo que estou pensando.

Fora isso, tivemos o pagamento do cupom do Tesouro Direto, me rendeu pouco mais de R$55.000,00, que por sinal foi abaixo do que eu calculei e não consegui encontrar qualquer explicação por conta da corretora da razão desse pagamento abaixo do devido, estou pensando em fazer um post a respeito pro pessoal verificar e confirmar que o Tesouro Nacional está dando o velho MIGUÉ e aparentemente está colando. A diferença é pouco abaixo de 1%, mas ainda assim PAGUE MEUS JUROS, PORRA.

Segue a tabela:



O valor do TD, bem como o aporte do mês (~R$15.000,00) foi feito integralmente na poupança esperando a liberação do BB Americas para investimento no exterior, cujo processo de cadastro está quase finalizado, falta apenas o BB Americas ativar e informar os dados da agência e conta. No total, são mais de R$90.000,00 já acumulados esperando virarem dólares.

Quanto aos gastos do mês, excedi totalmente o orçamento com gastos acima da média em saídas a restaurantes e com defeito concomitante de vários aparelhos eletrônicos (celular, celular backup (azar do caralho), computador, etc.). Segue a tabela:


Para esse mês quero logo mandar esse grana da poupança pro exterior e continuar acompanhando de perto o bitcoin. Continuo investindo pesado no apartamento (~R$5.000,00 por mês) e devo entrar 2018 nessa mesma pegada. No geral, to bem satisfeito com a vida que eu levo, moro bem, como bem, tenho um carro melhor do que preciso, estou em paz e harmonia com namorada e família e o trabalho anda bem tranquilo e rendendo bem. É muito bom poder gastar quase R$2.000,00 em coisas inesperadas sem perder o sono, imagino que se muitas famílias tivessem uma surpresa dessas seria motivo de stress e preocupação. Uma hora eu teria que colher os frutos plantados e, felizmente, esse dia chegou antes do que imaginei. A esse fato tenho a agradecer não apenas minha própria disciplina e frugalidade mas também a você, leitor, que contribui indiretamente, com perguntas, palavras de incentivo e discussões bacanas.

Falando em discussões, quero fazer 3 posts esse mês: 1- Investimento no exterior via remssa online, 2- Aplicação histórica da TSR no Brasil, 3- Diferença do valor teórico e efetivamente pago no cupom do Tesouro Direto. Vamos ver se consigo vencer a preguiça e fazer ao menos um, é muito fácil "amolecer" quando se é financeiramente independente.

Excelente mês a todos!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Estratégia para Investimentos Internacionais

Aqueles que estão acompanhando as atualizações mensais sabem que o maior risco que eu possuo hoje com relação ao meu portfólio é o da "venezuelização" do Brasil, com um calote por parte do governo brasileiro na dívida pública interna para os detentores do Tesouro Direto.

Esse risco é real. Apesar das taxas declinantes, praticamente nada está sendo feito para corrigir a trajetória da dívida pública, notadamente os esforços para limitar os déficits, que são o principal fator para controle da dívida, junto com crescimento do PIB e valor da SELIC.

Projeções estimam a dívida pública bruta alcançando cerca de 90% do PIB já em 2020, em que mesmo com uma selic de 8% seriam em média 7,2% do PIB gastos anualmente só com os juros da dívida, num país sem nenhuma perspectiva de executar superavits primários significativos. O Teto dos Gastos é um belo engodo pois em 2020 os gastos obrigatórios já superarão o teto, levando o valor das despesas discricionárias ao campo negativo, o que é impossível.

Nesse cenário escroto o governo terá poucas coisas a fazer. Lula já deu a receita dele: aumentar o gasto público naquele velho desenvolvimentismo que afundou o país nessa década. Bolsonaro nada entende de economia, mas já deu vários sinais de medidas nacionalistas prejudiciais ao país e proteção às velhas mamatas do curral eleitoral dele dos militares, etc. O esquerdista social-democrata Dória parece a escolha menos pior, mas duvido que ele tenha bala na agulha pra diminuir de forma significativa os gastos públicos.

Uma alternativa real é o bom e velho aumento da base monetária (inflação), que dizimaria quem possuísse títulos atrelados à SELIC e principalmente os prefixados. Quem possuir NTNBs estará protegido, mas terá sua rentabilidade diminuída por conta do IR.

O cenário que realmente me afetaria, portanto, seria não um cenário inflacionário, mas num calote do governo em parte ou na totalidade da sua dívida interna. Tal cenário é sem dúvida catastrófico para o país, pois implicaria na falência de boa parte dos bancos, fundos de pensão, previdências privadas e até de empresas.

Usando termos financeiros, portanto, eu preciso diversificar meu risco soberano. Ações e principalmente imóveis seriam ativos melhores que renda fixa, mas ainda assim sofreriam violentamente como foram o caso da Venezuela e Grécia.

Felizmente, meus gastos hoje são uma pequena parte do meu portfólio (TSR de 1,6-1,7%), mas num cenário de calote do TD, com sua inevitável desvalorização que suponho em algo como 80% e calote de 100% dos meus títulos privados bem como falência do FGC, eu teria pouco mais de R$400.000,00 mais meus Bitcoins, que apesar de hoje valerem ~R$500.000,00 são um ativo com volatilidade extrema e sem nenhuma indicação de sustentar um portfólio, enfim teria R$900.000,00 para retiradas de R$6.000,00, o que dá uma TSR impossível de 8% a.a. Mesmo apertando os gastos, teria gastos mínimos de R$4.000,00 com uma TSR de 5,4% e uma qualidade de vida fracassada.

Não vejo sentindo, portanto, em continuar a investir um real de dinheiro novo no Brasil, pois esse dinheiro em nada mitiga o único risco que eu corro. A alternativa clara é investir no exterior. O mundo está se fodendo se o Brasil macacar e um dólar ou um iene continuará valendo o mesmo se o Brasil falir.

Vou colocar aqui de forma bem resumida qual será então minha estratégia para investimento no exterior.

O investimento internacional implica nos seguintes passos:

1 - Câmbio entre real e moeda estrangeira
2 - Envio da moeda estrangeira pra corretora
3 - Investimento de acordo com alocação de ativos

Passo 1: O Câmbio

Após uma análise bem longa, o método mais barato que encontrei foi a criação de conta no Banco do Brasil e posterior criação de conta do BBAmericas. O custo recorrente disso é R$0,00 numa conta de serviços essenciais do BB, U$15,00 para tarifa de manutenção mensal do BBAmericas e 0,38% de IOF + 0,5-0,7% de spread para a operação de câmbio. Com aportes de R$10.000,00 isso implica num custo mensal de ~R$150,00. A segunda alternativa seria envio direto via o site remessaonline.com com um custo de 1,8%, ou R$180,00 por mês. Quanto maior o valor investido, maior o benefício do BBAmericas. Como minha expectativa é investir cerca de R$20.000,00 por mês (R$10.000,00 dos cupons do TD e R$10.000,00 de dinheiro novo) a vantagem do BBAmericas fica óbvia.

A idéia também é deixar U$10.000,00 investidos num CD no BB Americas com o intuito de não pagar a tarifa mensal, que dá um yield de 3,55% que é maravilhoso pra algo sem risco em dólar. O custo ainda existirá na forma de custo de oportunidade desse dinheiro no TD.

Passo 2: Envio para a corretora.

A corretora com melhor custo benefício pela minha pesquisa é a Interactive Brokers (IB), com tarifa de manutenção mensal de U$10,00 que serve de consumação pra corretagens. Essa tarifa inclusive é anulada para clientes com valores acima de U$100.000,00, valor esse que pretendo alcançar o quanto antes. A transferência será feita gratuitamente via ACH da conta do BBAmericas para a IB.

Passo 3: O Investimento

Se essa parte estiver complexa para o leitor, favor tirar suas dúvidas nos comentários!

Como expliquei acima, o risco da venezuelização é real. No entanto, se você me perguntar qual a chance do Brasil dar calote na dívida interna para os detentores pessoa física do tesouro direto nos próximos 30 anos eu estimo em 5-10%. Ou seja, provavelmente esse dinheiro que eu vou investir eu nunca irei precisar. No entanto, se eu precisar é bom que ele esteja lá e que possua um mínimo de crescimento para suportar meus gastos. Diante da minha necessidade, vontade e capacidade de correr risco em moeda estrangeira, bem como a perspectiva de não precisar desse valor nas próximas décadas, estimei minha alocação de ativos em 80% em renda variável e 20% em renda fixa. A alocação em renda fixa é fundamental para consumo inicial dela em caso de queda nas ações justamente quando eu precisar dos valores.

Inicialmente, é totalmente óbvio que o pequeno investidor deve investir exclusivamente em fundos passivos. A evidência a favor do investimento passivo vs investimento ativo é gigantesca a tal ponto que não preciso ficar batendo no cachorro morto da atividade pela enésima vez.

Outro fator pra lá de óbvio é que, como NRA (Non Resident Alien), não faz nenhum sentido ter qualquer ação individual ou ETF que distribua dividendo, devido ao pesadíssimo imposto de 30% que os EUA retém na fonte nas distribuições. A solução é a compra de fundos europeus de acumulação (não existe fundo americano de acumulação por questões legais), que reinvestem os dividendos recebidos no próprio fundo, sem qualquer fato gerador de tributo por parte do investidor.

Além disso, um investimento global faz todo o sentido. Com as altas dos últimos anos, os EUA estão com valuation nas alturas, com um PL de 26 e CAPE de 30. Existe evidência de uma correlação moderada e invertida entre retornos futuros e CAPE/10 (cerca de 0.3-0,.4), portanto a perspectiva de retorno para os próximos 10-20 anos nos EUA é péssima. Diante disso faz sentido investir no mínimo pela capitalização global, em que pese os EUA sozinhos deterem ~50% de capitalização.

Por outro lado, os mercados emergentes, além de possuírem CAPEs mais baixos por serem inerentemente mais arriscados, tiveram retornos abismais nos últimos 10 anos, o que indica uma chance elevada de altos retornos para a próxima década. Seguindo puramente pela capitalização dos ativos, eu deveria portanto fazer um split de 70% Developed e 10% EM (Emerging Markets). Por conta puramente do valuation, irei fazer um pequeno tilt de 60% Developed e 20% EM.

Quem acompanha a literatura financeira internacional moderna (ninguém), verá que tem muita coisa escrita sobre Smart Beta, com a inclusão de outros fatores de risco além do tamanho e valor que já discuti aqui, como momentum, qualidade e baixa volatilidade. O prêmio anual, apesar da volatilidade, varia entre 3 a 5% a.a. para cada um desses fatores, com alguma variação de país pra país, efeitos pós publicação dos fatores, etc., conforme descrito magistralmente por Swedroe no livro Your Complete Guide to Factor-Based Investing lançado ano passado.

Diante da evidência massiva, persistente e mundial a favor da existência desses fatores, investir em fundos que tentem capturar esses fatores ou ao menos limitem a exposição negativa deles é desejável. (parando pra pensar, meu portfolio de ações em 2011-2012 por exemplo tinha um fator momentum negativo extremamente elevado).

Após uma longa pesquisa,  o ETF que escolhi para investir os 60% em ações de países desenvolvidos foi o IFSW (iShares MSCI World Multifactor UCITS ETF). O ETF segue o index MSCI World Diversified Multiple-Factor Index, que investe em ações que possuam o máximo possível de 4 fatores: Tamanho, Valor, Momentum e Qualidade, com peso igual para cada um (25%). O lado negativo desse ETF é o custo extremamente elevado de 0,5% a.a. Ou seja, estou "pagando pra ver" que o retorno dos fatores vão me pagar acima de 0,5% a.a. frente a um fundo comum. A outra alternativa é o excelente SWDA, igualmente global e com custo de apenas 0,2% a.a., mas sem exposição aos fatores.

Para EM, a coisa se complica. Não existe nenhum fundo de acumulação multifatorial de acumulação. Temos o QEMM, mas distribui dividendos (facada do tio sam). Por outro lado, temos o EMMV, que é um ETF que investe em EM com load em ativos de baixa volatilidade, que cai como uma luva para o meu portfólio que sempre apreciará o mínimo de variância. O custo é elevado (0,4%), mas apenas 0,15% a.a. maior que o ETF mais barato (EIMI), com volatilidade 22% menor e, penso eu junto com toda a literatura sobre o tema, no mínimo a mesma expectativa de retorno.

Já os bonds são bem mais simples. Os fatores de riscos são amplamente conhecidos há decadas, e como procuro solidez não tem muito o que inventar. O ETF LQDA parece ideal pra isso, ao investir exclusivamente em bonds de empresas com investment grade com duração intermediária (8 anos) e um custo razoável (0.20% a.a.), com yield 3,25% a.a., o que dá um prêmio de risco por crédito de 1,2% a.a. e de prazo de 1,1% quando comparada a t-bill de 1 mês do governo americano que paga 1% a.a. Ou seja, prevendo uma inflação do dólar de 2% a.a.  e sem mudança no yield terei um retorno real de 1% a.a., bem diferente dos 5% brutos que conseguimos trivialmente investindo em títulos do governo.

Vale notar que a expectativa de retorno de cada fator depende do load que o ETF possui em cada fator. O IFSW, por exemplo, possui apenas 0.07 em momentum e 0.27 em qualidade. Isso é normal, pois é impossível um único fundo possuir 100% dos loads e capturar o premium em sua totalidade que não seja o beta.

A idéia é aportar todo dinheiro novo nessa alocação de ativos (60% IFSW, 20% EMMV, 20% LQDA) até alcançar ~R$1.000.000,00, o que deve demorar um bom tempo. A depender do preço que o bitcoin chegar eu posso vender uma parte deles pra investir lá fora, bem como com o vencimento paulatino dos CDBs que possuo a depender da situação que esteja aqui e no exterior.

Essa é sem dúvida uma nova etapa no meu portfolio que vejo como um caminho natural dado o valor que alcancei, e espero ao longo dos anos poder colher bons frutos (e bons sonhos) desse investimento!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Atualização Mensal: Julho 2017: R$4.429.788,23

Mais um mês em que não mexi no meu portfólio e, ainda assim, ganhei bastante dinheiro. Com a trajetória de queda no yield das NTN-Bs, aumento linear dos CDBs, um grande-pequeno aporte de R$20.000,00 e o hard fork que ocorreu no BTC fizeram meu bolo fecal saltar quase R$300.000,00. O BTC que começou como uma mera aposta de 2% do meu patrimônio teve uma valorização explosiva e hoje já representa quase 15%.

Ao que tudo indica o preço dos Bitcoin Cash (BCH) estão inflados pois as exchanges ainda não estão aceitando depósitos na moeda, então mês que vem devemos ter uma baixa aí.

Segue a tabela:



Estou 100% comprometido a não colocar nenhum dinheiro novo aqui no Brasil. Está óbvio que o que meu portfólio necessita no momento é diversificação contra riscos sistêmicos, e nada melhor pra isso do que investir no exterior. Já estou com minha estratégia definida e que será explicada num post esse mês (apesar das minhas enrolações, o post já está pronto, só esperando um detalhe do BBAmericas que resolveu modificar o processo de cadastro). O valor de R$20.000,00 aportado está na poupança aguardando a finalização desses cadastros para ser devidamente transformados em ativos no exterior.

Esse mês receberei meu delicioso cupom das NTN-Bs que estimo em ~R$55-R$57.000,00 que será 100% investido no exterior também, bem como o aporte que farei esse mês.

Despesas mensais:




Tive gastos extraordinários com uma consulta particular, procedimento estético e mais remédios, que devem reduzir esse mês. Também tive que trocar uma peça do PC. Fora isso não fiz a "compra do mês" pois ainda tinha bastante comida em casa, razão do valor pequeno gasto com supermercado. A partir de agosto o condomínio virá ~R$200,00 mais barato e gastos de energia também devem vir reduzidos por não estar utilizando o ar-condicionado no inverno.

Continuo com gastos elevados no apartamento que não incluo nessa tabela, mês passado foram R$7.000,00 com armários  e móveis e esse mês devo gastar mais R$5.000,00 com mais armários.

Dei um up no carro que deu um problema consertado em garantia, aproveitei pra trocar o volante de couro que estava descascado, além de dar um polimento na pintura, tudo na faixa pela concessionária.

Fora isso, estou enchendo o saco de um amigo pra ir na aula de tiro comigo esse mês e estou começando a pensar com bastante calma e sem pressa numa viagem pra ano que vem.

Até lá, vou curtindo o apartamento e refletindo em banhos quentes de banheira sobre meu futuro portfólio internacional.


Até a próxima, pessoal!