sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Atualização Mensal: Setembro 2009 (R$90.542,17, +8.773,76)

Hã? To maluco? Apressado? Atualização mensal, já?!?

Pois é, cambada. Novidades. Vou tirar férias e, consequentemente, esse blog também. Volto daqui a um tempo, daí eu adiantar a atualização.

Mais um mês muito bom. O ciclo de aportes bem acima da média chega ao fim esse mês. A alta expressiva da bolsa também contribuiu bastante para que eu tenha hoje 10,73% a mais do que tinha no mês anterior.

Projeção patrimonial:


E foi vencida a barreira dos R$90.000,00. Segundo a projeção, no final do mês que vem eu já terei que ter recebido a antecipação de herança (e tenha um patrimônio de, no mínimo, R$140.000,00). Só resta torcer pra que tudo dê certo...

AA:

AA praticamente idêntica ao mês anterior. Peso levemente maior para o PIBB em virtude da compra feita ontem (53 PIBBs a R$84,39 cada - total de R$4.472,67). É muitíssimo improvável que eu faça aportes dessa magnitude daqui pra frente. No entanto, sinto-me feliz e até aliviado de não ter "torrado" o dinheiro dos meses de vacas gordas anteriores. Agora é seguir com o feijão com arroz e garantir, no mínimo, R$2.300,00 por mês, tudo de acordo com o plano estabelecido.

Valores:
Que beleza esse ROI anual. Se ele indica algo, é que não há mais muito espaço para subir. Pela primeira vez desde que comecei a investir meu ROI ficou acima do planejado. Eu que acreditasse na minha bola de cristal do mês anterior hahaha... acho que como especulador eu sou um ótimo investidor! :)


Notas relevantes:

  • Quero ver a engrenagem dos juros compostos começar a funcionar pra valer...
  • O ciclo de "vacas magras" deve começar após a antecipação da herança. Cada um por si e Deus contra todos!
  • Mais um mês que passei stress na compra dos PIBBs. Primeiro chega um infeliz e vende 10 PIBBs, travando a ordem. 30min depois um chega e vende mais 9, pra só depois eu conseguir comprar tudo. Definitivamente não vou sentir saudades do mercado fracionário...
  • Paguei no total R$6,16 pela compra de R$4.472,67 de PIBBs. Isso dá 0,14% do principal. E pensar que o fundo de ações Indexado do Bradesco, com seus 4% de taxa de administração POR ANO, mais IR de 15% do lucro na retirada, possui mais de R$100.000.000,00 sob sua gestão...
  • Está praticamente impossível pra eu alugar ações, já que a Link resolveu cobrar +-0,5% a.a. de comissão e a taxa atual do PIBB está em 0,6% a.a. ... é algo para eu conversar com eles quando voltar das férias...
  • Gente, me dêem uma luz, eu quero um fundo small-cap decente. Recuso-me a lidar com a (falta de) liquidez do SMALL11 ou pagar 2% de tx. de adm. pra um fundo ATIVO que sabe lá o que vai fazer com meu dinheiro.
  • Mês que vem vai ser TENSO.






terça-feira, 8 de setembro de 2009

BOVA ou PIBB? (BOVA11 ou PIBB11?)

Creio que todos que investem em índices possuem a dúvida: Em que fundo investir? Além dos fundos passivos de bancos (e suas ridículas taxas de administração) o mercado brasileiro atualmente possui dois ETFs que acompanham índices Large-cap: o PIBB, que segue o índice IBRX-50 (se você acompanha o blog e até hoje não sabe disso é porque tem algo errado contigo rsrs) e o BOVA, que acompanha o Ibovespa.

Vamos fazer um raio-x em ambos e vermos as vantagens/desvantagens de cada um:

O FUNDO PIBB:

O PIBB é um fundo passivo que tem o objetivo de replicar o Índice Brasil 50 (IBRX-50) – carteira teórica composta pelos 50 papéis mais negociados na bolsa, ponderados pelo valor das empresas. O fundo é composto por papéis que pertenciam ao BNDES.

O objetivo de seguir o IBRX-50 tem sido cumprido desde o lançamento em julho de 2004. A diferença de rentabilidade entre o fundo PIBB e o índice IBRX-50, na maioria dos dias, é quase nula (vejam que rentabilidade não é o mesmo que preço). O histórico da aderência do fundo ao índice pode ser observada no site www.pibb.com.br, no link dados estatísticos.

Para incentivar a aplicação no PIBB na primeira emissão, em julho de 2004, o BNDES prometeu adquirir as cotas do investidor pelo valor nominal delas de lançamento caso o fundo desvalorizasse em um prazo de 12 meses. O limite de recompra foi R$ 25 mil. Além disso, o banco ofereceu um desconto de 1% no preço das cotas durante a emissão.

Segundo dados do Banco Itaú, responsável pelos serviços de administração, custódia e gestão do PIBB, 11.278 pessoas físicas adquiriram as cotas do PIBB na época de lançamento. O número correspondeu a 51% de participação da pessoa física na operação, avaliada em R$ 600 milhões. Metade desse volume, R$ 300 milhões, veio da pessoa física.

Na segunda oferta do PIBB, iniciada em setembro de 2005, as cotas do fundo destinadas ao público corresponderam a R$ 1 bilhão. O valor mínimo para o investidor comprar as cotas do fundo foi de R$ 1 mil.

Atualmente, o fundo PIBB tem em média R$2 milhões negociados por dia na bolsa, garantido uma liquidez boa, porém longe do ideal.

Em termos de rentabilidade, o IBRX-50 se assemelha muito ao Ibov, conforme gráfico dos últimos 5 anos abaixo:



Apesar da rentabilidade histórica do IBX50 ter sido levemente superior ao do Ibov (graças ao crescimento expressivo da Vale e Petro), nos últimos 2 anos o Ibov teve rentabilidade superior. São índices muito parecidos, cuja correlação histórica fica acima de 0,900.

O fundo PIBB atualmente é o fundo de investimentos em ações mais barato do mundo, com taxa de administração de 0,059% ao ano (5,9 pontos-base).

Mesmo tendo sido criado há vários anos atrás, além da taxa de administração, as cotas do fundo PIBB ainda hoje não só acompanham o índice IBRX-50, como o supera em rentabilidade acumulada (cerca de 0,5%).

O FUNDO BOVA:

O fundo BOVA foi criado pela Ishares ("apenas" a maior gerenciadora de ETFs no mundo) com o objetivo de acompanhar o índice Ibovespa. Muito mais recente, passou a ser negociado na Bolsa em 28/11/2008. Possui, portanto, menos de 1 ano de vida.

Possui taxa de administração anual de 0,54%. Desde a sua criação, possui diferença de rentabilidade acumulada de 1,09% frente ao índice. Devido a taxa de administração cobrada, é 100% certo dessa diferença aumentar com o tempo.

Apesar do fundo ser muito menor que o PIBB (5 milhões de quotas frente a 28 milhões do PIBB), a sua liquidez é muito maior, com cerca de R$3,5 milhões negociados por dia. A meu ver, essa liquidez se deve principalmente ao fato do formador de mercado do BOVA atuar atualmente com um spread muito menor que o formador de mercado o fundo PIBB.

Update 12/01/10 - Recentemente a BM&FBovespa inaugurou a possibilidade de compra e venda de opções do BOVA11, sendo atualmente o único ETF do Brasil com tais mecanismos. É um fator importante e que pode ser decisivo na escolha do investidor caso o mesmo pretenda utilizar as opções como método para "arrendar" o índice, fazer hedge, dentre as várias possibilidades que elas fornecem ao investidor. Como não utilizo nem pretendo utilizar opções por motivos que não cabem explicar nesse post, minha argumentação, para o meu caso, permanece inalterada.

O PORQUÊ DA MINHA ESCOLHA PELO PIBB:

Com os dados apresentados, a escolha, para mim, fica óbvia. Os índices que cada fundo acompanha são extremamente parecidos, com leve vantagem ao Ibov pois, apesar de historicamente ter uma rentabilidade menor, é mais diversificado e, portanto, não pende tanto para o lado Large-cap como o Ibrx-50.

No entanto, essa pequeníssima diversificação adicional não vale a pena pelos quase 0,5% de rentabilidade sacrificados todo ano no fundo BOVA, devido à taxa de administração quase 10 vezes maior (1000%!!!) que o fundo PIBB.

A liquidez maior do BOVA é artifical, pois conta com um formador de mercado que opera com spread bastante reduzido, facilitando sobremaneira a negociação das quotas. Esse formador, no entanto, pode sumir a qualquer momento ou ao menos aumentar o spread. Com formadores semelhantes, não tem como um fundo com 28 milhões de quotas possuir uma liquidez menor do que um com 5 milhões de quotas. Lembre-se que temos que analisar tudo a longuíssimo prazo.

Para mim o fundo BOVA não serve nem como diversificação, pois como disse a correlação dos dois índices é MUITO grande, não compensando a diminuição do desvio-padrão ganho em virtudes dos custos do fundo.

Vocês não verão quotas de BOVA11 no meu portfolio tão cedo...

ps: Quando teremos um fundo small-cap realmente decente? Aí sim dá pra falar em diversificação... (e nem me venham falar dessa coisa ridícula chamada SMALL11!!!)


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Atualização Mensal: Agosto 2009 (R$81.768,41, +R$9.388,96)

Mais um mês bom, ainda que ilusório. O preço final do dia do PIBB de R$81,26 está absurdamente sobrevalorizado se considerarmos que o IBRX-50 fechou em 7.928 pontos e o PIBB é negociado sempre com um desconto de +-0,5%. Malditos fundos PIBB obrigados a comprar sempre no fechamento...

Gráfico de sempre:



Resultado bastante acima da média em que contribuíram tanto a performance do IBRX-50 quanto os aportes significativos.

AA:



Como informei antes, houve a devolução parcial do empréstimo que foi prontamente investido na bolsa... comprei 100 PIBBs a R$79,33 e 44 PIBBs a R$80,70.

Valores:



Que venha os R$90.000,00! Excelente mês a todos, em especial ao meu amigo Henrique! =D


Notas relevantes:

  • A farra dos aportes muito superiores ao estipulado de R$2.300,00 possui no máximo mais um mês de vida.
  • Existe uma possibilidade remota, porém real, da utilização da antecipação da herança para o empréstimo garantido.
  • Utilizando minha bola de cristal que tem uma taxa de acerto de incríveis 50%, diria que a bolsa está sobrevalorizada...
  • Você sabia que o investidor não precisa "acreditar" na teoria dos mercados eficientes para investir em índices?
  • Eu ODEIO o maldito investidor que vende pra mim 1 ou 3 PIBBs e trava minha ordem inteira! Que tipo de idiota vende 1 PIBB, afinal? Não quer pagar taxa de manutenção da corretora?
  • Tinha esquecido de atualizar as debêntures mês passado.
  • Se eu comprar um chiclete com uma figurinha dentro, é venda casada? ;)
  • A hora da verdade está chegando...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aplicação prática do método de mitigação do RSR.

Em virtude dos comentários de Rafael, Xico e demais, resolvi mostrar aqui na prática (utilizando o meu portfolio hipotético futuro como base) como minimizar o risco de seu suado dinheiro morrer antes de você :) .

A idéia explicada no post anterior é simples, corroborada por dados históricos não só americanos como de outros países: Como o risco a longo prazo da bolsa é menor do que da renda fixa e a curto prazo o risco da bolsa é maior do que o da renda fixa, nada melhor do que consumir $$$ da renda fixa na época que ela possui pouco risco e da bolsa após alguns anos, quando o risco será bem menor.

Vejam que essa idéia pode mudar radicalmente a noção de alocação de ativos, que é determinada não pela idéia padrão (e pouco discutida) da tolerância ao risco do investidor, mas sim pelo cálculo matemático do desvio-padrão (ou outro parâmetro que você entenda como risco) frente a uma unidade de tempo determinada. Logo, uma questão fundamental precisa ser respondida: em que momento o desvio-padrão da bolsa fica abaixo da renda fixa? 5 anos? 7? 15? Infelizmente não tenho essa resposta, nem teria utilidade obter essa resposta hoje, pois essa pergunta só precisará ser respondida no momento da aposentadoria (ou, no máximo, alguns poucos anos antes).

No meu caso, digamos que quando eu tiver 42 anos eu tenha um portfolio no valor de R$3.000.000,00 conforme planejado. Planejo consumir R$120.000,00 ao ano, corrigidos pela inflação. Com uma alocação de ativos bolsa/renda fixa em 80%/20%, ficaria com R$2.400.000,00 na bolsa e R$600.000,00 na renda fixa. A partir daí eu começaria a retirar R$10.000,00 por mês da renda fixa, INDEPENDENTE do comportamento da bolsa, ATÉ a exaustão dos R$600.000,00. A partir daí, meu portfolio seria 100% bolsa, mas lembrem-se: foram R$2.400.000,00 que ficaram parados por no mínimo 5 anos (600.000/120.000 = 5), provavelmente um pouco mais em virtude do retorno da RF. A partir daí começaria a retirar apenas da bolsa e nunca mais compraria um título de renda fixa. Lembrem-se que toda aposentadoria "antecipada" possui risco, e esse é um dos métodos menos arriscados de se aposentar.

Uma alternativa seria, próximo ao final dos 5 anos, comprar mais R$600.000,00 + inflação em títulos, dando uma folga de + 5 anos para a bolsa. Vejam que esses anos de renda fixa são determinados pela sua alocação de ativos (uma alocação 72/28 me daria 7 anos de tranquilidade, mas um maior risco de não ter retorno suficiente em virtude da menor alocação na bolsa).

Notem que essa não é minha posição final: ainda é um assunto em estudo de minha parte, já que não tenho a menor pressa em me definir quanto a isso!

sábado, 15 de agosto de 2009

Métodos de mitigação do RSR e sobrevivência do Portfolio

Nota: Esse texto tem como base o artigo "Is rebalancing a portfolio during retirement Necessary?" de John J. Spitzer.

Vimos no post sobre RSR que vários estudos foram feitos nos EUA com diferentes métodos de retirada de valores em um portfolio com o objetivo de aumentar a sua sobrevivência após um período definido. Vejam que o foco nesse tipo de portfolio não é o crescimento, mas a mera sobrevivência. É óbvio, no entanto, que quanto maior o crescimento maior tende a ser a sobrevivência deste, mas a gestão de risco passa a ter um papel principal.

No artigo que mencionei na nota acima, John J. Spitzer utilizou vários métodos para saber qual tinha a maior chance de sobreviver num período de 30 anos de retiradas mensais, modificando a alocação em bolsa de 30% a 80%, retirando entre 3% e 7% do portfolio ao ano, corrigido pela inflação. Os métodos foram: Rebalancear a cada ano, retirar o ativo que teve maior performance no ano, retirar o ativo que teve pior performance no ano, retirar da renda fixa sempre que possível e retirar da bolsa sempre que possível.

Independente do percentual retirado e da AA (alocação de ativos), retirar primeiramente da bolsa de valores foi SEMPRE o pior método, chegando a incríveis 100% de falha em algumas situações (retirando 7% a.a. com 40% do portfolio na bolsa, p.ex.).

O melhor método, surpreendentemente, foi efetuar as retiradas sempre que possível da renda fixa (bonds first). A utilização de tal método levará inexoravelmente o portfolio a uma alocação de 100% em bolsa, mas por incrível que pareça essa é a tática com menor risco (se entendermos risco como shortfall risk).

Com a alocação renda fixa/bolsa em 30%/70%, retiradas até 5% ao ano através do método bonds first tem uma taxa de falha de 16%. Se fizermos o rebalanceamento todo ano, a taxa sobe para 29%. Se tirarmos primeiro da bolsa, 49%. Se tirarmos do ativo que rendeu mais no ano, 22%.

A estratégia bonds first é a melhor em TODOS os períodos estudados, INDEPENDENTE da alocação dos ativos e do percentual retirado anualmente. Sempre que o indivíduo efetua o rebalanceamento, o shortfall risk sobe em média 4,8%. O rebalanceamento não diminuiu de forma estatística significante o shortfall risk mesmo em períodos mais curtos de 15, 20 e 25 anos.

Além disso, e corroborando diversos outros estudos, quanto maior a parcela do indivíduo na bolsa (até o limite de 80%), maior a chance de sobrevivência.

O motivo de tal performance faz sentido: a bolsa possui menos risco do que a renda fixa a longo-prazo, como bem mostrou o livro Stocks for the Long Run. Portanto, nada mais lógico do que um "buffer" de curto prazo em renda fixa com o objetivo de diminuir o desvio-padrão do investimento em bolsa com o decurso de alguns anos, mitigando de forma significativa o RSR. Tal fato é tão relevante que sistemas inteiros de retiradas são feitos com base nesse fato (procurem por Grangaard Strategy e textos de Ray Lucia).

Para mais informações, leiam o artigo de John J. Spitzer (em inglês) e o método de Grangaard (em inglês) que mencionei acima.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Me sentindo gente pela primeira vez na vida :)

Com o fim da farra do empréstimo garantido e o início da sua devolução, pela primeira vez na minha vida utilizei o mercado "normal" (não-fracionário) para comprar PIBBs. Terra estranha, ordens de 1.000, 3.000 quotas e eu lá, sardinha-mirim, com minha gloriosa ordem de 100 PIBBs.

O saldo final foi 100 PIBBs compradas a R$79,33 cada. Sem stress de ordens parcialmente executadas como acontece no mercado fracionário. Enriquecimento mesmo 0, pura realocação de ativos.

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PS: Alguém por acaso sabe por onde anda o projeto de lei pra regulamentar o IR na poupança? E a medida provisória que iria aliviar o IR dos fundos de renda fixa? Deram xabu?

Brasil-sil-sil...

sábado, 1 de agosto de 2009

Atualização Mensal: Julho 2009 (R$72.379,45, +R$7.907,40)

Essa alta da bolsa tá me preocupando. Quero essa merda barata pelo menos até outubro (mas o que é barato e o que é caro tratando-se de mercado de ações? É tão fácil responder isso quanto comprar na baixa e vender na alta!).

Meus gastos mensais foram altos e serão até outubro conforme mencionei antes. Vou gastar no mínimo R$2.000,00 por mês até lá. Foi uma decisão muito pensada e que hoje não tenho dúvida que está valendo (muito) a pena. Os trocados que ainda assim tenho conseguido juntar são pequenos milagres monetários kkk.

Gráfico que vocês já conhecem (cliquem pra verem maior):


Portfolio cada vez mais gordo (tendendo para a obesidade), com alguns meses de gordura prontinhas para alimentar o urso eternamente a espreita. Crescimento do portfolio de 12,26% no mês.

Alocação de ativos do portfolio:


A mamata do empréstimo garantido vai diminuir ou pelo menos parar de crescer nos próximos meses. Agora é socar o que der em PIBB.

Os juros do empréstimo (~R$250,00) foram utilizados para compra de PIBBs. Foram 23 esse mês a 77,60 cada.

Portfolio em valores:


O ROI tá ficando bonito, mas sinceramente quero essa bolsa baixa até outubro quando vai rolar um aporte significativo que já mencionei aqui!

Notas relevantes:

  • A Link finalmente tomou vergonha na cara e está passando a acompanhar o IBRX-50 pelo ticker IBXL. \o/
  • Ganhei pouco mais de 20 reais esse mês com aluguel de ações(quotas). Já paga a corretagem mensal com juros e correção e ainda sobra pra comprar umas cervas :D
  • Por falar em aluguel, desde fevereiro tenho alugadas 100 PIBBs minhas a 50 e poucos reais cada. Imagine o FUMO que o cara não tá levando hoje kkk.

Excelente Agosto pra todos! Vou curtir meu fds!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Risco da Sequência de Retorno

Taí mais um assunto praticamente inexistente aqui na terra brasilis, mas muitíssimo importante principalmente para quem adquiriu recentemente a independência financeira: o risco da sequência de retorno (sequence of return risk).

O RSR é uma decorrência da volatilidade dos ativos, principalmente o shortfall risk. No paraíso dos investimentos, a classe de ativo de maior retorno teria volatilidade igual a zero. Ou seja, o retorno seria constante, invariável e alto. Como sabemos, a realidade é bem diferente. Em um mês o ativo pode dar um retorno bem alto, em outro retorno negativo, etc.

O RSR é justamente o do indivíduo, recém-independente e portanto começando a fazer retiradas periódicas do portfolio, ver seu portfolio duplamente atingido por retornos negativos substanciais e pelos resgates efetuados.

O efeito pode ser devastador. Vamos imaginar um investidor que tenha $500.000,00, retire $25.000,00 (5%) ao ano corrigido por uma inflação de 3,5% ao ano em 4 hipóteses:

- Retornos altos nos primeiros anos e baixos nos últimos anos. (média de 8%)
- Retornos baixos nos primeiros anos e baixos nos últimos anos. (média de 8%)
- Retorno 0. (média de 0%)
- Retorno constante de 8%. (média de 8%)

(clique para ampliar)

A diferença é absurda, chegando a 170% do portfolio inicial entre retornos altos iniciais e retornos baixos iniciais.

Esse risco é um dos principais motivos pelo qual não se recomenda uma alocação de 100% RV em um portfolio com retiradas, mesmo que o portfolio tenha um horizonte infinito (previdência, p.ex.).

A utilização da estratégia de rebalanceamento pode em alguns casos ser prejudicial ao portfolio, pelo efeito feeding the bear, que é retirar ativos seguros e com retorno positivo para ativos recém-depreciados, mas que podem depreciar ainda mais, tornando as perdas nesse caso triplas! Veja como um portfolio em que incidem retiradas tem uma dinâmica completamente diferente dos portfolios "comuns". O foco não é em crescimento, mas na sobrevivência do portfolio e mecanismos que existem para controlar o risco (como o rebalanceamento) podem na verdade aumentar o risco de perda total do principal.

Diversos estudos foram feitos nos EUA com o objetivo de se verificar estratégias de retirada (withdrawal strategies) que protejam o portfolio contra o RSR. As conclusões que eles chegaram fica para o próximo post (pra variar kkkkk)...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Retorno da Bolsa/Renda Fixa de 17 países - 1900/2008

Pessoal, não tenho a mínima idéia como mas acabei encontrando na Internet um documento muito interessante: o livro do ano de retorno de investimentos de 2009 elaborado pelo Instituto de Pesquisa do Credit Suisse.

Os dados são interessantíssimos e mostram que, apesar do domínio da bolsa sobre renda fixa existir em todos os mercados, existem casos de dar muito medo: o o retorno acumulado de 109 anos da renda fixa na Bélgica é de -10%, e o da bolsa é apenas 700%, o que dá um retorno anual de 1,9% a.a. O país com o maior retorno em renda variável (Austrália) teve um retorno anual real de 7,3% a.a. Além dos dados, o texto discute por alto temas muito importantes como o equity premium (incluídos o value premium e o size premium), além da análise detalhada comparando o retorno bolsa/renda fixa país por país.

O texto está em inglês. Para baixarem cliquem aqui (1.8 MB).

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Comparação das rentabilidades do CDI e da Bovespa no longo prazo

Taí um assunto em que é fácil falar merda a respeito. Assim como não se deve investigar passado de mulher nem cozinha de restaurante (quem conhece não come!), olhar para o retorno a longo prazo desses ativos é uma tarefa temerária, por dois motivos: vivemos um mercado bull de renda fixa completamente surreal que muitíssimo provavelmente nunca mais retornará (se eu encontrar títulos pagando 20-40% a.a. de novo minha alocação vai pra 100% RF!), além da bovespa, após a abertura da mesma ao mercado externo, ter incorrido num mercado bull e estabilização econômica também difícil de se repetir. Eram os tempos em que todos se achavam os traders, diziam que 5% a.m. era um retorno fácil de se repetir... enfim, os filhos da alta, muitos desses prematuramente mortos em 2008 :D

Feitas essas ressalvas iniciais, vamos aos números :



O retorno está anualizado. Vejam como desde o início do plano real (jul/94) até o fim de 08 a bolsa ainda conseguiu um retorno espetacular de 17,5% a.a. o CDI, graças à crise de confiança de 98, chegou a impressionantes 23,1%, surrando o índice Ibovespa. Essa disparidade é alargada se vermos o período áureo do CDI, entre 94 e 98. No período de 99 a 08 vemos como as coisas tendem a se normalizar com o Ibovespa com um retorno um pouco superior ao CDI, mesmo sofrendo dois períodos bears em 10 anos.

Esses números são um exemplo claro de como a utilização cega de rentabilidade passada como critério único para escolhas de classes de investimento pode levar a resultados desastrosos. Com a taxa SELIC atualmente em 9,25%, é praticamente impossível um investidor ter um retorno de 17,6% novamente investindo exclusivamente em títulos de renda fixa, mesmo com aumento da inflação futura.

O mesmo pode ser dito do Ibovespa que, apesar de a longo prazo a rentabilidade provavelmente será superior ao CDI (afinal, o equity premium deve existir), quem espera uma rentabilidade de 18,7% anualizada provavelmente se decepcionará. A ponte de ouro para quem queria se aposentar de forma fácil e rápida já se passou. Estamos no tempo de maior estabilidade econômica, em que o retorno está invariavelmente ligado a muito estudo, muito risco e pouquíssimas certezas...