sexta-feira, 9 de novembro de 2018

GUIA INSTANTÂNEO DE INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA.

Passeando pelo meu e-mail, descobri que tinha escrito esse guia há nada menos que 4 anos atrás. Como tenho algumas dúzias de textos escritos pela metade e guardados, estou fazendo um esforço de completá-los e divulgá-los, pois por algum motivo sobrenatural alguns de vocês gostam do que eu escrevo. O 1o texto está logo abaixo, segue:

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Em um belo dia eu fiquei pensando: será que é possível ensinar ao brasileiro, um povo burro (e mais estúpido ainda em questão de finanças) a obter a independência financeira em um texto hiper-conciso, a ser assimilado de forma fácil e rápida? 


O resultado dessa minha dúvida está aí: O Guia Instantâneo de Independência Financeira Viver de Renda. Trata-se de um texto bem compacto, mas com informações suficientes pra tornar qualquer pessoa independente financeiramente de forma rápida, prática, barata (R$0,00) e sem enrolação.

Vale ressaltar que nenhuma da sabedoria contida no texto é minha: são todas idéias de pessoas mais inteligentes e cultas que eu, como Bogle, Ferri, Swedroe, Graham, Bernstein, etc.

Pensando em facilitar ao máximo a divulgação do texto com objetivo exclusivo de minimizar a ignorância financeira no Brasil, criei uma versão em PDF que pode ser baixada AQUI.

Sem mais delongas, segue o texto:

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Esse texto é um guia. Como todo guia, possui natureza prática, de forma que aqui você não encontrará discussões filosóficas ou encheção de linguiça. Ao final do texto você será mais eficiente em investimentos e como adquirir a independência financeira do que 99% da população brasileira (o que não é muito, frise-se). Para tanto, basta você seguir FIELMENTE os 15 passos que este guia contém. Você pode ser questionado, talvez até ridicularizado, mas a única certeza é que, seguindo os passos desse guia, você se tornará RICO e, mais importante, INDEPENDENTE FINANCEIRAMENTE.


Passo 1: GASTE MENOS DO QUE VOCÊ GANHA. Para você ser independente financeiramente, você precisa de duas coisas: dinheiro e tempo. Quanto mais tempo e quanto mais dinheiro, melhor. Portanto, você deve se conscientizar do principal: QUANTO MAIS VOCÊ ECONOMIZAR, MAIS RÁPIDO VOCÊ SE TORNARÁ INDEPENDENTE.

Passo 2: COMECE O MAIS CEDO POSSÍVEL. A relação entre tempo e riqueza é exponencial. A uma taxa de 12% ao ano, começar 4 anos mais cedo significa que você será 50% mais rico ao final. Portanto, comece a investir ONTEM.

Passo 3: ENTENDA COMO FUNCIONAM OS JUROS COMPOSTOS: Os juros compostos são os mecanismos básicos de criação de riqueza, e você, antes de investir, tem de entender por que ao final de uma vida 85-90% de um portfólio é juro composto e 10-15% é suor (economias). Como falei acima, se dinheiro e tempo são as duas variáveis básicas da independência financeira, o juro composto é o modo como um se relaciona com o outro.

Passo 4: FAÇA UM COLCHÃO DE SEGURANÇA COM 3-6 MESES DOS SEUS GASTOS LÍQUIDOS. Merdas acontecem, quase sempre sem aviso. Com um colchão de segurança você estará mais preparado e principalmente mais tranquilo para enfrentar as caneladas que a vida te dará.

Passo 5: AUMENTE A SUA RENDA. Uma pessoa pode tranquilamente se aposentar com 1 milhão de reais aportando R$100,00 por mês. Basta investir por 65 anos a uma taxa de retorno real de 0.5% a.m. Se o aporte passar a R$1000,00, são 30 anos e, com R$5.000,00, chega-se lá em 11 anos e meio. Portanto, quanto mais se ganha mais fácil será aportar valores maiores e mais rapidamente você será rico.

Passo 6: NÃO EXTRAPOLE AO COMPRAR CASA E CARRO. Todo mundo quer ter uma BMW (Bring My Wallet) e morar numa mansão. Esses dois bens, junto com o divórcio (sem separação de bens), são as armas de destruição em massa da sua independência financeira. Compre ambos de forma que você ainda consiga aportar de forma confortável, caso contrário a caminhada ao topo será muito mais árdua e, pior, auto-infligida.  

Passo 7: INVISTA SUA IDADE EM RENDA FIXA, 10% EM IMÓVEIS E O RESTO EM AÇÕES. Esse portfólio, apesar de genérico, é extremamente poderoso, pelos seguintes motivos:
1- Você está investido em 3 classes diferentes de ativos, garantindo maior diversificação
2- A medida que você envelhecer e seu portfólio crescer a volatilidade dele irá diminuir
3- Ótima relação risco/retorno, com ações sendo o carro chefe do crescimento

Passo 8: NÃO INVISTA EM AÇÕES INDIVIDUAIS OU FUNDOS DE BANCO. USE APENAS ETFs. Ações individuais são complicadas de se gerir de forma adequada, e abrem ao investidor uma quantidade gigantesca de abominações que são péssimas para ele: análise técnica, contínuas corretagens, sub-diversificação (possuir menos de 20 ações não faz qualquer sentido pra 99,99% dos portfolios), day-trades, lançamento de opções, etc. Já os fundos de bancos são caríssimos e dignos de piada. Ao invés disso, invista em um fundo de índice como PIBB ou BOVA que são baratos e extremamente eficazes em crescer o seu portfolio.

Passo 9: INVISTA NO TESOURO DIRETO OU EM CDBs DE BANCOS MÉDIOS. Na parte de renda fixa, esqueça poupança ou fundos de renda fixa. Use o tesouro direto, que além de possibilitar um maior retorno é muito mais barato que 99% dos fundos de renda fixa por aí. Quanto aos títulos em si, você pode dividir 33% Pré-fixados (LTN ou NTNF), 33% Pré+Pós (NTNB) e 33% Pós (LFT). Se quiser um pouco mais retorno em troca de um pouco mais de trabalho e uma pitada a mais de risco, adquira CDBs de bancos médios tipo Inter, Sofisa, etc., que te pagarão 1-2% a.a. a mais que o tesouro.

Passo 10: INVISTA EM FIIs. Investimento em imóveis de forma direta significa falta de diversificação e tributação ineficiente. Prefira FIIs, que são seguros, com tributação eficiente e com ótima relação risco/retorno.

Passo 11: CUSTOS IMPORTAM. MUITO. Corretagem, impostos e taxas de administração são as formas que as corretoras, o governo e os bancos criaram de separar seu suadíssimo dinheiro de você. Portanto, um custo aparentemente pequeno composto ao longo dos anos (passo 3 se aplica aqui) tem um efeito devastador na sua riqueza. Para se ter uma idéia, uma taxa de administração de 1,5% ao ano significa que você será aproximadamente 34% mais pobre ao final de 30 anos.

Passo 12: NÃO INVISTA EM PREVIDÊNCIA PRIVADA. Enquanto os fundos de previdência privada não custarem menos que 0,5% ao ano os mesmos te deixarão menos rico que o portfólio do passo 4. Os 12% de diferimento fiscal do PGBL não são suficientes para tornar a previdência privada atrativa.

Passo 13: REBALANCEIE NÃO MAIS QUE ANUALMENTE. Rebalancear significa manter a proporção dos investimentos descrita no passo 7. São dois os motivos desse passo:
1- É um método automático de se vender na alta e comprar na baixa
2- Manter a volatilidade e retorno em níveis aceitáveis.

Passo 14: CRISES VIRÃO. MANTENHA O CURSO. Uma vida é um tempo suficientemente longo para se presenciar várias crises, tanto nacionais quanto mundiais. No século XX os EUA passaram por duas guerras mundiais, diversas catástrofes naturais, uma crise inflacionária e uma recessão colossal. Ainda assim, a bolsa americana cresceu durante o período em média 10% ao ano. Portanto, siga a disciplina e continue investindo mesmo que haja sangue nas ruas.

Passo 15: AO OBTER A INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA, NÃO GASTE MAIS QUE 4% DO SEU PORTFÓLIO INICIAL AO ANO. Pode parecer pouco, mas caso você gaste mais do que 4% ao ano, corrigido pela inflação, existe um risco substancial de você terminar falido em até 30 anos. O valor não pode ser maior por conta da inflação e dos inevitáveis mercados de baixa.

46 comentários:

  1. De todos esses só me falta investir em ETFs e FIIs. Liquidei minhas cotas de FIIs quando começaram a me dar prejuizo, mas acho que vou voltar a comprá-las.

    Abraço

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  2. Muito bom. Parabens e obrigado!
    Só um pedido: poderia elaborar mais a respeito do ponto 12??
    A questão não seria apenas o diferimento fiscal, mas também o desconto fiscal, quando você deixa de pagar 27,5% hoje para pagar 10% após 10 anos.
    Durante o processo de decisão pra abrir uma PP fechada, cheguei a conclusão que era vantajoso, considerando uma taxa de adm. de 0.5%.
    É uma satisfação tê-lo de volta.
    Abraços,
    @ofrugalista

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  3. Muito obrigado pela sabedoria VdR

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  4. Grato por compartilhar o seu conhecimento!

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  5. ainda acredita em ETFs ? lembro que no passado vc vendeu os ETFs e montou carteira de acoes ou foi ao contrario... de acoes para ETF...?

    Previdencia se for com participacao de empresa compensa, exemplo aplica 10% empresa aplica 10% junto... vale esse adendo!

    Quanto a investir apenas a idade em RF, no caso de alcancar a independencia isso tudo muda, certo? No seu caso esta all in no TD!

    abss

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    1. Lembro que o próprio VdR já escreveu que se a empresa contribui com metade do que você coloca na previdência privada, você deveria colocar o quanto conseguisse.

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    2. se a empresa contribui 1x1 é o melhor investimento do mundo: 100%a.m.. se não há esse artifício não compensa

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  6. Digamos que não muito originais. Um compilado de vários posts da blogosfera só isso. Enfim, tá valendo, nada se cria, tudo se copia mesmo!

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    1. "Vale ressaltar que nenhuma da sabedoria contida no texto é minha"

      Você por acaso não sabe ler?

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    2. Anônimo é um nick não muito original

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  7. Os 10% em imovel significa ter somente 10% em FII???

    Tinha entendido em moradia, mas o passo 10 me indicou o contrario.

    Joje tenho 75% em FIIs e estou encaminhando para mais, acho uma ferramenta muito boa e estavel de juros compostos.

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  8. Ultimamente ando seguindo a risca e all-in no TD mesmo...
    Quero procuras sobre esses CDBs dos bancos online, no proprio inter nao passa de 99% do CDI.
    um abraco e obrigado por compartilhar textos que nos atraem sobrenaturalmente kkkkk

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    1. Eu tenho dificuldade de investir em outras coisas, porque se o TD tá me pagando inflação mais 5% hoje (vamos dizer que vai dar uns 9% esse ano), aí vou ver CDI, na XP tem o Original pagando 120%, mas ainda vai dar menos que esses 9%... se pego pré-fixado, dá 10% mas tem o risco se a inflação subir... então parece mto confortável ficar só na NTN-B e não consigo sair dela... sempre que vou ver ver outra coisa me parece que o ganho é o mesmo senão menor...
      Pra NTN-B deixar de valer à pena a economia teria de melhorar muito por aqui...

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    2. Resolvi fazer umas apostas com 10 a 15% do patrimônio no fundo Alaska Black, dá um pau em IBOV e ETFs.... o resto é tudo TD

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  9. Muito bom. Completamente diferente do Bastter.

    Pra ele corretora é sempre de bancão, CDB não presta, ações são o que há e etc.

    Fez fama só por causa do aporte alto, se não fosse médico hoje não teria patrimônio nenhum.

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    1. Bastter é médico ?

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    2. Hoje em dia não, mas ele era Clínico Geral

      https://youtu.be/XDJa0LaBEVI?t=89

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    3. Isso mostra que não há apenas um caminho para FI. Tanto a estratégia do Bastter quanto do VDR são válidas. A do Bastter requer mais estudo porque ele indica investir diretamente em ações, já o VDR considera melhor os ETFs para ter mais tempo disponível para dedicar a outras áreas.

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  10. Algumas dicas são muito interessantes e servem par todas as pessoas.

    Quanto aos passos 7 e 8 acho que depende um pouco do perfil e do conhecimento de cada pessoa.

    Acredito que para uma pessoa com conhecimento e perfil mais adequado de longo prazo, poderá gerir uma carteira fundamentalista sem girar muito a carteira, com boas empresas.

    Abraço e bons investimentos.

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  11. Pessoal, algumas respostas:

    O principal é que vocês saibam que provavelmente esse guia não é dirigido aos leitores do blog. A maioria provavelmente já possui alguma noção, sabe o motivo de cada ponto e as nuances de cada situação. Esse guia é pro povão, pro cara que não sabe nada/quase nada e muito provavelmente vai ser estuprado pelos bancos/assets ou pela própria segurança. Esse guia evita o cara de cometer esses erros. Dito isso, vamos lá:

    Quanto ao PGBL, eu não fiz a matemática considerando todas as variáveis, mas o problema é que a tx. de adm. incorre sobre todo o patrimônio todo ano, enquanto o diferimento dos 12% é sobre os aportes. Imagina um cara com 1mi de patrimônio e 1% de tx. de adm., todo ano serão 10k dados pro gestor contra 0.3% de um TD, fora que se o cara tiver + de 1.5mi a tx. final da CBLC fica abaixo dos 0.3% por conta do limite. Fora isso tem um certo custo de oportunidade a depender do fundo, que na sua maioria aplica em SELIC, tirando o cara o premio de risco dos CDBs medios, títulos pré-fixados, etc., sem falar em ações que possuem uma expectativa de retorno maior que qualquer renda fixa. É um assunto complexo que definitivamente extrapola o guia, imagina um cara que não entende nada de finanças e vou lá jogar pra cima detalhes delicados desse.

    Como já falaram acima, se a empresa também aporta a coisa muda totalmente de figura, é um retorno "upfront" de 50-100%, vale a pena d+. Vou colocar esse adendo no guia pois muita gente tem esse tipo de benefício.

    Quanto ao conteúdo não ser original, como eu já tinha mencionado no próprio preâmbulo do texto nenhuma idéia ali é minha, apenas condensei as idéias de forma sucinta e simples pra que qualquer bonobo consiga entender.

    Os 10% são em FII sim, deixando bem claro que aquele é um portfólio GENÉRICO, de risco moderado e que foi colocado pois está fora do escopo do guiar ficar construindo portfólio individualizado.

    Continuo acreditando em ETFs, principalmente pra quem quer simplicidade, é chegar no fim do mês, comprar as quotas e pronto, sem stress e tempo gasto analisando empresas. Eu fiquei um pouco receoso por conta dos 15% de IR, mas pensei que uma parte irá sonegar e a outra os benefícios ultrapassam os negativos.

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    1. Só complementando o 1o parágrafo, esse guia é justamente pra um amigo de vocês que não sabe bosta nenhuma de finanças mas está começando a se interessar e pede umas dicas pra você, imagino que o guia será de grande valia pra esse tipo de pessoa.

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    2. E aquela pimentinha ? E aquele Bitcoin maroto?

      Acho que temos que ser 99% racionais mas aquele 1% é safadao!

      Põe uma shitcoin aí !!

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  12. Vc não acha interessante escolher ações de boas empresas? To formando uma carteira de boas empresas que considero e uma parte no ETF IVVB11. Ainda hj penso se vale o trabalho de ter ações individuais ou se os ETFs dariam conta do recado. Contudo quando penso em diversificação acho que estou no caminho certo.

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    1. Não tenho uma posição concreta. O fator de risco de qualidade/lucratividade existe e um portfólio escolhendo "boas" empresas captura em parte esses fatores, por outro lado quanto mais ações um indivíduo tiver maior a chance de ter um retorno superior por conta do "lottery effect" (chance de pegar uma empresa que estoura na bolsa, tipo LAME4 no passado). No exterior com centenas de empresas a preferência por ETFs é óbvia, aqui com um grupo mais reduzido e o IR de 15% dos ETFs a coisa não fica tão clara.

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  13. Show de bola, mestre!
    Faltou mais uma: Quando tiver bem rico diversifique no exterior.
    kkkkkkkk abraço!

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    1. Frugal, não seria interessante diversificar no exterior antes de estar "bastante rico"? Em torno de 500K a 1M acredito que já seja interessante diversificar no exterior. Pois há um grande ganho de rentabilidade com exposição a alguns ativos que não temos acesso aqui e em geral ativos com baixa correlação com o mercado brasileiro. Há assim um ganho duplo em rentabilidade e mitigação do risco, não?

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    2. Concordo Max. Eu mesmo só fui pro exterior qnd ultrapassei o primeiro milhão aplicado. De qualquer forma é preciso ter coragem. Abraço!

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Caro VdR
    Quanto aos FII, qual a sua visão em relação a classe de ativos? Não há um ETF razoável para os FII, sua sugestão seria uma diversificação em 20 FII a a fim de conseguir uma exposição ao mercado todo (quem sabe buscando um tilt pra qualidade e valor)?

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  16. VdR, que vc acha do barbel strategy defendido pelo Nassim Taleb em montar um portfolio com 90% tselic por ex (90% em cash, tselic aqui, mais seguro possível) e 10% em vários ativos ou derivativos de altíssimo risco? Ao invés por ex 30% em imóveis, 30% em ações, 30% rf e 10% dolar, ouro, dinheiro líquido etc.

    A ideia é que não existe ou não daria para prever risco médio e os ativos tem maior correlação do que pensamos, fora a história dos cisnes negros imprevisíveis, porém tb mais frenquentes do que achamos. Não sei se vc acompanha o taleb e leu antifragil.

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    1. @anonimo

      Gostei do questionamento, vou entrar no debate. Acredito que o Taleb as vezes se exceda nas suas colocações. O que você falou e verdade, a correlação entre ativos muda, em especial em tempos de crise, ela tende a diminuir. Ainda assim há ganho histórico secular comprovado dos beneficibe da diversificação. Há ainda forte plausibilidade econômica.

      Mesmo que você use uma pequena parte do seu capital para especulação absurda, e importante que está especulação tenha expectativa matemática positiva.

      Em outras palavras, risco nem sempre é igual a retorno. Assumir um investimento de alto risco não significa assumir um investimento com bom potencial de ganho. Essa ideia só funciona em um sentido: mais potencial retorno é igual a mais risco. Mas o contrario nem sempre é verdade. É o chamado risco sistêmico não diversificável. Você só é premiado pelo risco que assume e não pode dissipar.

      Penso que se você acredita que estes investimentos com alto upside tem expectativa matematimapositiva deve sim adicioná-los a carteira, entretanto não vejo motivo para deixar o restante no tesouro SELIC. Melhor utilizar os 90% em um portfólio diversificado.

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    2. Max, ótimo ponto. O próprio taleb entede que a ideia dele não é muito praticada pq ele mesmo coloca de um jeito meio superficial sem falar muito sobre deixando muita margem para interpretações. Minha dúvida cai bem no que vc comentou, os 10% deveriam ser alocados (1/n com n >=5 ?) mas desde que +ev, expectativa matematica positiva, agora como saber antecipadamente se o alto risco é mais ev, não dá, o taleb defende apostar pouco para ganhar muito, se der errado perde pouco mas com grande upside, mas difícil encontrar isso. O VdR colcou 2% em btc, deu certo, se tivesse dado errado perderia no max so os 2%, o problema é q por ex small caps, podemos escolher umas 10 e se numa deles estivesse magazine luiza em 2016 td faria sentido, mas ao mesmo tempo 10% em small11 não teria feito milagres no portfolio, mas perdido até para 100% alocado em tipca longo por ex. Então parece loteria tb. O mesmo com opções, só ficar apostando fora do $ e quando acertar ganha muito quando perde é pouco, mas ainda assim pode ser ev negativo, tanto é que alguns algortimos rodados já provaram que é mais ev lançar opções, o que já vai de econtro ao taleb.

      Por outro lado, bate uma crise e os 30% acoes + 30% fii despencam e provavelmente parte dos 30% rf tb, ou seja, podemos ficar 15 anos lucrando para devolver boa parte em semanas.

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  17. Para leigos, super bom. Se eu soubesse disso tudo na adolescência, com certeza já estaria na IF hoje.

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  18. Gostei muito do post! Não é tão difícil assim, o complicado é o sujeito ter paciência para esperar por umas duas decadas.

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  19. OPA que surpresa o VR retornou das cinzas.. cara que bom que você voltou, espero que continue fazendo textos e ensinando algumas coisas do mundo dos investimentos.. você é o frugalsimple foi os grandes influenciadores para eu me tornar um investidor..

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  20. Obrigado pelo guia, é exatamente o que acontece. O amigo / colega não sabe nada, mas começa a se interessar e ficar perguntando um monte de coisa. Vai ajudar muita gente, muito obrigado.

    Brusco

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  21. Prezado Mestre,

    Por que V.Sa. sugere rebalancear não mais que anualmente? Isto é, qual a desvantagem de se rebalancear, digamos, mensalmente, como faço. Obrigado.

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  22. Analisando os indices, verifiquei um tal ITAG, performou de maneira espetacular, sabem se há algum ETF dele?

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  23. Estou estudando abrir uma conta fora e encontrei uma solução em Portugal que me pareceu bastante simples. A unica complicação são as obrigações com a declaração e recolhimento de IR no Brasil relativo aos ativos no exterior. Nas minhas pesquisas encontrei muito pouco material sobre assunto além do que esta disponível no site da receita federal. Se fosse possivel abordar este tema e como você trata este assunto seria muito util para pessoas que como eu esta pensando em abrir uma conta no exterior.

    Abraços

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  24. São bons conselhos. Exceto o passo 8. Quem segue o passo 8 é por preguiça intelectual. Não se precisa saber de análise técnica ou de opções para comprar ações. Com a boa e velha análise fundamentalista se vai longe. Esse passo parece mais refletir a experiência da malsucedida aventura do autor no mercado de ações através de ETFs, a dependência de bibliografia estrangeira e falta de experiência no mercado acionário brasileiro. O Brasil não é os Estados Unidos. A bibliografia gringa é magnífica, mas aqui temos joias muito boas, capazes de tornar alguém de classe média realmente rico, alguém que não tenha aportes mal explicados recorrentes extraordinários de centenas de milhares de reais. Que ETF tinha UNIPAR, que causou tanta alegria recente aos uniparianos? E estava escrito que ia valorizar, pra todo mundo ver. E ainda vai subir mais. Se eu sabia qualquer um podia saber. Outras que estão na cara: TRIS3 e outras construtoras, FESA4, SAPR4, MTSA4... e por que não, HYPE3.... depois que subir não adianta reclamar.

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  25. Seus textos sao os melhores, haha

    Obrigado, VDR! Sigamos na Luta!! =D

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  26. Fala VdR! Texto direto e simples para ajudar a poupar e a investir. Te adicionei no meu blogroll, um abraço!

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  27. Artigo selecionado para o top 5 do FB AA40
    https://www.facebook.com/aposente-aos-40/

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  28. Olá VDR! Poderia calcular de forma hipotética, ao longo de 3 anos, como seria o PASSO 15, caso tivesse acumulado R$1MM, com uma taxa de retorno de 4%aa e inflação de 4,5%aa. Pergunto isso, pois gostaria de saber se estou fazendo o cálculo correto. Desde já, obrigado!

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  29. Gostei do guia apesar de não concordar com o passo 8. Acho extremamente ruins as Etfs listadas na bolsa, tem muita empresa meia boca nos portfólios. Abraço Viver.

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  30. Eu tenho uma estratégia de investimentos que considero muito simples e que tem me trazido resultados muito bons. Sigo a mesma desde 2015.
    Em 2015 já tinha uma boa poupança guardada. Apliquei tudo em fii's e de lá pra cá todo dinheiro que poupo vai pros fii's. O rendimento dos fundos eu aplico no etf gove11.
    Minha única preocupação é acompanhar e gerenciar os fii's. Se somar a valorização das cotas, rendimentos e valorização do ETF, tenho um rentabilidade acumulada de mais de 25% ao ano. Que eu considero satisfatória.
    Se essa média se mantiver, acredito que em 5 anos já terei "independência financeira". O que tá difícil mesmo é poupar. Antes guardava tranquilamente mais de 50% do salário. Hoje ganho muitos mais e pra poupar 30% é no sacrifício.
    Por isso coloquei IF entre ". Na verdade terei uma quantia que me possibilitará numa situação de desemprego, me manter com a mesma renda que possuo. Mas dificilmente irei parar de trabalhar. Eu sou consumista. Gosto de sair, gastar com roupas, ter um bom carro e morar bem. O mais provável é que quando atingir o patamar que almejo, renda passiva acima de 10k, pare de aportar e passe só a reinvestir e vou trabalhar para viver como gosto.
    Pra muita gente poupar não é problema, para mim é um sacrifício terrível. Vim de família pobre, meu pai depois de mais de 20 anos em um empresa grande, foi demitido, ficou um ano desempregado, passamos um perrengue. Quando comecei a trabalhar, com 19 anos, já tinha em mente que tinha que me preparar para uma situação de desemprego. Uma das coisas que mais tenho medo na vida é passar dificuldades. Aqui tô eu com 34 anos, nunca fiquei desempregado e hoje não tenho medo mais. Mesmo que ficasse desempregado teria como me manter, só que reduzindo drasticamente meu padrão de vida atual. Espero que daqui a poucos anos eu tenha condições de que caso venha a ficar desempregado, poder manter o mesmo padrão.
    Excelente post!

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