sábado, 7 de novembro de 2009

Como alugar ações (e ganhar quase nada com isso)

Se você é investidor de longo prazo como eu, deve saber que existe um meio trabalhoso e pouco eficiente de aumentar sua rentabilidade. Não, não estou falando de usar sua bola de cristal particular para "comprar na baixa e vender na alta", mas sim de aluguel de ações e quotas.

Qual o objetivo de se alugar ações? O mesmo de você investir na bolsa e dos pastores pregarem sermões dominicais: ganhar dinheiro. Infelizmente a rentabilidade nem de longe se aproxima ao dízimo, ficando normalmente em 0,5% a 3%... AO ANO. Ah, e abata 22,5% de Imposto de Renda daí.

A única desvantagem de se alugar ações é que, caso elas sejam alugadas, você obviamente não pode fazer nada com elas durante o aluguel, inclusive vendê-las quando um circuit break está por vir ou você quebrou sua perna jogando futebol e não tem seguro nem colchão de segurança...

A vantagem, óbvio, é o dinheiro que o tomador paga pra você para ter suas ações pelo período. Mas disso você já sabe. A vantagem para o tomador, no entanto, é basicamente poder ganhar na baixa. O cara aluga uma ação que vale R$100,00, vende a mesma, a ação no outro dia cai para R$95,00 e ele recompra a mesma e te devolve. Você tem sua ação valendo R$95,00 e o troco do aluguel e o tomador tem seus R$5,00 de lucro menos as taxas do aluguel.

Ok, digamos que você queira alugar suas ações ou quotas (PIBB é quota, não ação), e aí como se faz?

Até onde eu saiba todas as corretoras utilizam um sistema manual para aluguel de ações, sem utilização do Home Broker mas sim do velho e-mail e telefone.

Algo minimamente prudente de se fazer é verificar as ofertas de aluguéis antes de colocar a sua. O nome pomposo para isso é "ofertas disponíveis do banco de títulos CBLC-BTC", que você pode encontrar gratuitamente aqui. Lá você procura sua ação e vê as ofertas. Nesse link é possível achar as ofertas do PIBB11 (tabela BTC-4).

Normalmente a taxa anual do PIBB tem uma variação enorme, geralmente de 1% até o zé que exige 6% ao ano. Vejam também que em geral o prazo do aluguel é pequeno (vencimentos, no máximo, de 3 meses). Se você é investidor de longo prazo como eu procure colocar uma data mais longa, de preferência um ano.

Os NÃOs e os poucos SIMs que estão ao lado direito da tabela é a informação se o doador pode liquidar antecipadamente o aluguel. Faça isso em duas hipóteses: 1- Se você acha que talvez precisará das ações durante o aluguel e 2- Se você não quiser alugar suas ações. Portanto, NÃO exija liquidação antecipada pois ninguém vai querer alugá-las.

Decidida a taxa, a quantidade de ações e o prazo você liga ou manda um e-mail para sua corretora. Eu sempre utilizei e-mail e uso o modelo abaixo que você, descarado que é, vai copiar:

"Olá

Gostaria de disponibilizar para aluguel as seguintes ações:

Nome: Viver de Renda
Conta: XXXXX-X
CPF: XXXXXXXXX-XX

Posição: Doador
Ativo: PIBB11
Quantidade: 500
Taxa: 0,9% a.a.
Vencimento: 30/11/2010
Liquidação antecipada pelo doador: Não

Atenciosamente,

Viver de Renda"

O mercado de aluguel de quotas e ações varia, obviamente, da ação ou quota que você quer alugar. Ações como Vale e Petro possuem um volume enorme e, portanto, taxas baixas (0,2% a 0,5% a.a.). Já ações small-cap (PINE4, p.ex.) possuem volume muito menor e taxas maiores (3%-6% a.a.). Não é incomum ver micos com taxas de 20% a.a. ou mais.

Enviado o e-mail, geralmente algumas horas depois sua oferta já está no banco de títulos CBLC-BTC. Aí é esperar até alugarem.

A grande chateação do aluguel é que, 90% das vezes, o tomador vai devolver a ação no próximo dia, pois o objetivo dele é fazer um trade curto. 9% das vezes, ele fica entre uma semana e 15 dias. E 1% das vezes ele vai ficar meses a fio (e te dar 99% do lucro de todos os aluguéis). Pelo menos essa tem sido minha experiência com o PIBB11 e, pelo que converso com amigos, a deles também.

Como sei que vocês são tarados por gráficos e tabelas, aqui vai um exemplo prático de quotas que emprestei essa semana e foram liquidadas em sequência :


Vejam que fiz dois empréstimos no mesmo dia: 150 e 333 quotas de PIBB. Ao mesmo tempo, dois empréstimos já foram liquidados. O de 150 (o tomador só pagou, portanto, por 1 dia) e um de 300 quotas registrado no dia anterior. Saldo final = R$1,13 líquidos. Tanto trabalho por um mísero real.

Agora vamos ver o outro lado da moeda...


Taí os 1% que fazem tudo valer a pena. 100 quotas de PIBB alugadas a 2,5% a.a. desde 27 de fevereiro de 2009 e até hoje não devolvidas. Se o tomador segurar até o vencimento do aluguel (janeiro de 2010) só esse aluguel deve me render um pouco mais de R$100,00.

Dois últimos detalhes: para estimular o aluguel de ações, a bovespa paga ao doador uma taxa extra de 0,05% a.a. É o troco do troco kkk...

O outro detalhe é que a corretora não faz todo esse trabalho de graça. Ela geralmente possui um adicional na taxa que fica com ela e varia de corretora pra corretora. Até quando eu operava com a ativa ela cobrava 0,2% a.a. (Então se você diz que quer 1% a.a. ela vai fazer a oferta a 1,2% a.a.), já a Link varia bastante (pra ser sincero eles são meio atrapalhados nesse quesito...)

Alugar ações/quotas é complicado, dá trabalho e rende pouco. Mas nesse mundo dos investimentos cada 0,1% a mais de retorno pode trazer um retorno a longo prazo considerável... afinal, quem disse que investimentos passivos não podem bater o índice?!? ;)

Update: Retirado link quebrado e rearrumado texto.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Atualização Mensal: Outubro 2009 (112.267,14, +21.724,97)

O copo na metade está meio cheio ou meio vazio? É assim que vejo a atualização mensal de outubro. Se por um lado tive o maior crescimento absoluto em toda a história do universo (21 mil não é de se reclamar!), por outro lado aqueles 1% se fizeram valer e só obtive uma pequena parte da antecipação de herança prevista (mais especificamente, R$18.750,00 dos R$81.000,00 previstos). O resto do dinheiro ainda vem, mas não tenho a mínima idéia quando. Isso provavelmente vai me forçar a rever o meu plano com o intuito de torná-lo mais realista frente aos fatos novos. É algo pra eu pensar durante o mês...

Ainda assim, a barreira dos R$100k foi quebrada com folga. E sempre dizem que os primeiros 100k são os mais difíceis...

A bolsa andou de lado no mês e praticamente não influiu no resultado. Os aportes efetuados garantiram a alta de 23,99% do patrimônio no mês.

O vergonhoso gráfico da projeção patrimonial:


Após vários meses excelentes, de volta à soberania da barra vermelha. Com quase R$38.000,00 de déficit frente ao planejado, as chances de ver a barra azul na frente são remotíssimas, salvo a reformulação do plano mencionada.

AA:
A pequena parte da herança recebida foi toda pra um empréstimo garantido, rendendo 1,5% mensais. Os juros do empréstimo mais o salário possibilitaram a compra de 35 PIBBs a $87,06 cada.

Valores:

ROI anual decrescente em virtude da bolsa não ter ajudado esse mês. Quem dera eu ter um ROI desses daqui a 15 anos...

Notas relevantes:
  • Ganhei uns 10 reais de aluguel do PIBB esse mês, de forma que a corretagem tá saindo de graça...
  • As férias foram MUITO boas. As melhores de minha vida.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

De volta!

To de volta das férias, povo! Saudades do blog!

A atualização mensal tá no forno! Amanhã sai!

Boa semana a todos!

Update: Hummmm... depois de amanhã uhehue!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Atualização Mensal: Setembro 2009 (R$90.542,17, +8.773,76)

Hã? To maluco? Apressado? Atualização mensal, já?!?

Pois é, cambada. Novidades. Vou tirar férias e, consequentemente, esse blog também. Volto daqui a um tempo, daí eu adiantar a atualização.

Mais um mês muito bom. O ciclo de aportes bem acima da média chega ao fim esse mês. A alta expressiva da bolsa também contribuiu bastante para que eu tenha hoje 10,73% a mais do que tinha no mês anterior.

Projeção patrimonial:


E foi vencida a barreira dos R$90.000,00. Segundo a projeção, no final do mês que vem eu já terei que ter recebido a antecipação de herança (e tenha um patrimônio de, no mínimo, R$140.000,00). Só resta torcer pra que tudo dê certo...

AA:

AA praticamente idêntica ao mês anterior. Peso levemente maior para o PIBB em virtude da compra feita ontem (53 PIBBs a R$84,39 cada - total de R$4.472,67). É muitíssimo improvável que eu faça aportes dessa magnitude daqui pra frente. No entanto, sinto-me feliz e até aliviado de não ter "torrado" o dinheiro dos meses de vacas gordas anteriores. Agora é seguir com o feijão com arroz e garantir, no mínimo, R$2.300,00 por mês, tudo de acordo com o plano estabelecido.

Valores:
Que beleza esse ROI anual. Se ele indica algo, é que não há mais muito espaço para subir. Pela primeira vez desde que comecei a investir meu ROI ficou acima do planejado. Eu que acreditasse na minha bola de cristal do mês anterior hahaha... acho que como especulador eu sou um ótimo investidor! :)


Notas relevantes:

  • Quero ver a engrenagem dos juros compostos começar a funcionar pra valer...
  • O ciclo de "vacas magras" deve começar após a antecipação da herança. Cada um por si e Deus contra todos!
  • Mais um mês que passei stress na compra dos PIBBs. Primeiro chega um infeliz e vende 10 PIBBs, travando a ordem. 30min depois um chega e vende mais 9, pra só depois eu conseguir comprar tudo. Definitivamente não vou sentir saudades do mercado fracionário...
  • Paguei no total R$6,16 pela compra de R$4.472,67 de PIBBs. Isso dá 0,14% do principal. E pensar que o fundo de ações Indexado do Bradesco, com seus 4% de taxa de administração POR ANO, mais IR de 15% do lucro na retirada, possui mais de R$100.000.000,00 sob sua gestão...
  • Está praticamente impossível pra eu alugar ações, já que a Link resolveu cobrar +-0,5% a.a. de comissão e a taxa atual do PIBB está em 0,6% a.a. ... é algo para eu conversar com eles quando voltar das férias...
  • Gente, me dêem uma luz, eu quero um fundo small-cap decente. Recuso-me a lidar com a (falta de) liquidez do SMALL11 ou pagar 2% de tx. de adm. pra um fundo ATIVO que sabe lá o que vai fazer com meu dinheiro.
  • Mês que vem vai ser TENSO.






terça-feira, 8 de setembro de 2009

BOVA ou PIBB? (BOVA11 ou PIBB11?)

Creio que todos que investem em índices possuem a dúvida: Em que fundo investir? Além dos fundos passivos de bancos (e suas ridículas taxas de administração) o mercado brasileiro atualmente possui dois ETFs que acompanham índices Large-cap: o PIBB, que segue o índice IBRX-50 (se você acompanha o blog e até hoje não sabe disso é porque tem algo errado contigo rsrs) e o BOVA, que acompanha o Ibovespa.

Vamos fazer um raio-x em ambos e vermos as vantagens/desvantagens de cada um:

O FUNDO PIBB:

O PIBB é um fundo passivo que tem o objetivo de replicar o Índice Brasil 50 (IBRX-50) – carteira teórica composta pelos 50 papéis mais negociados na bolsa, ponderados pelo valor das empresas. O fundo é composto por papéis que pertenciam ao BNDES.

O objetivo de seguir o IBRX-50 tem sido cumprido desde o lançamento em julho de 2004. A diferença de rentabilidade entre o fundo PIBB e o índice IBRX-50, na maioria dos dias, é quase nula (vejam que rentabilidade não é o mesmo que preço). O histórico da aderência do fundo ao índice pode ser observada no site www.pibb.com.br, no link dados estatísticos.

Para incentivar a aplicação no PIBB na primeira emissão, em julho de 2004, o BNDES prometeu adquirir as cotas do investidor pelo valor nominal delas de lançamento caso o fundo desvalorizasse em um prazo de 12 meses. O limite de recompra foi R$ 25 mil. Além disso, o banco ofereceu um desconto de 1% no preço das cotas durante a emissão.

Segundo dados do Banco Itaú, responsável pelos serviços de administração, custódia e gestão do PIBB, 11.278 pessoas físicas adquiriram as cotas do PIBB na época de lançamento. O número correspondeu a 51% de participação da pessoa física na operação, avaliada em R$ 600 milhões. Metade desse volume, R$ 300 milhões, veio da pessoa física.

Na segunda oferta do PIBB, iniciada em setembro de 2005, as cotas do fundo destinadas ao público corresponderam a R$ 1 bilhão. O valor mínimo para o investidor comprar as cotas do fundo foi de R$ 1 mil.

Atualmente, o fundo PIBB tem em média R$2 milhões negociados por dia na bolsa, garantido uma liquidez boa, porém longe do ideal.

Em termos de rentabilidade, o IBRX-50 se assemelha muito ao Ibov, conforme gráfico dos últimos 5 anos abaixo:



Apesar da rentabilidade histórica do IBX50 ter sido levemente superior ao do Ibov (graças ao crescimento expressivo da Vale e Petro), nos últimos 2 anos o Ibov teve rentabilidade superior. São índices muito parecidos, cuja correlação histórica fica acima de 0,900.

O fundo PIBB atualmente é o fundo de investimentos em ações mais barato do mundo, com taxa de administração de 0,059% ao ano (5,9 pontos-base).

Mesmo tendo sido criado há vários anos atrás, além da taxa de administração, as cotas do fundo PIBB ainda hoje não só acompanham o índice IBRX-50, como o supera em rentabilidade acumulada (cerca de 0,5%).

O FUNDO BOVA:

O fundo BOVA foi criado pela Ishares ("apenas" a maior gerenciadora de ETFs no mundo) com o objetivo de acompanhar o índice Ibovespa. Muito mais recente, passou a ser negociado na Bolsa em 28/11/2008. Possui, portanto, menos de 1 ano de vida.

Possui taxa de administração anual de 0,54%. Desde a sua criação, possui diferença de rentabilidade acumulada de 1,09% frente ao índice. Devido a taxa de administração cobrada, é 100% certo dessa diferença aumentar com o tempo.

Apesar do fundo ser muito menor que o PIBB (5 milhões de quotas frente a 28 milhões do PIBB), a sua liquidez é muito maior, com cerca de R$3,5 milhões negociados por dia. A meu ver, essa liquidez se deve principalmente ao fato do formador de mercado do BOVA atuar atualmente com um spread muito menor que o formador de mercado o fundo PIBB.

Update 12/01/10 - Recentemente a BM&FBovespa inaugurou a possibilidade de compra e venda de opções do BOVA11, sendo atualmente o único ETF do Brasil com tais mecanismos. É um fator importante e que pode ser decisivo na escolha do investidor caso o mesmo pretenda utilizar as opções como método para "arrendar" o índice, fazer hedge, dentre as várias possibilidades que elas fornecem ao investidor. Como não utilizo nem pretendo utilizar opções por motivos que não cabem explicar nesse post, minha argumentação, para o meu caso, permanece inalterada.

O PORQUÊ DA MINHA ESCOLHA PELO PIBB:

Com os dados apresentados, a escolha, para mim, fica óbvia. Os índices que cada fundo acompanha são extremamente parecidos, com leve vantagem ao Ibov pois, apesar de historicamente ter uma rentabilidade menor, é mais diversificado e, portanto, não pende tanto para o lado Large-cap como o Ibrx-50.

No entanto, essa pequeníssima diversificação adicional não vale a pena pelos quase 0,5% de rentabilidade sacrificados todo ano no fundo BOVA, devido à taxa de administração quase 10 vezes maior (1000%!!!) que o fundo PIBB.

A liquidez maior do BOVA é artifical, pois conta com um formador de mercado que opera com spread bastante reduzido, facilitando sobremaneira a negociação das quotas. Esse formador, no entanto, pode sumir a qualquer momento ou ao menos aumentar o spread. Com formadores semelhantes, não tem como um fundo com 28 milhões de quotas possuir uma liquidez menor do que um com 5 milhões de quotas. Lembre-se que temos que analisar tudo a longuíssimo prazo.

Para mim o fundo BOVA não serve nem como diversificação, pois como disse a correlação dos dois índices é MUITO grande, não compensando a diminuição do desvio-padrão ganho em virtudes dos custos do fundo.

Vocês não verão quotas de BOVA11 no meu portfolio tão cedo...

ps: Quando teremos um fundo small-cap realmente decente? Aí sim dá pra falar em diversificação... (e nem me venham falar dessa coisa ridícula chamada SMALL11!!!)


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Atualização Mensal: Agosto 2009 (R$81.768,41, +R$9.388,96)

Mais um mês bom, ainda que ilusório. O preço final do dia do PIBB de R$81,26 está absurdamente sobrevalorizado se considerarmos que o IBRX-50 fechou em 7.928 pontos e o PIBB é negociado sempre com um desconto de +-0,5%. Malditos fundos PIBB obrigados a comprar sempre no fechamento...

Gráfico de sempre:



Resultado bastante acima da média em que contribuíram tanto a performance do IBRX-50 quanto os aportes significativos.

AA:



Como informei antes, houve a devolução parcial do empréstimo que foi prontamente investido na bolsa... comprei 100 PIBBs a R$79,33 e 44 PIBBs a R$80,70.

Valores:



Que venha os R$90.000,00! Excelente mês a todos, em especial ao meu amigo Henrique! =D


Notas relevantes:

  • A farra dos aportes muito superiores ao estipulado de R$2.300,00 possui no máximo mais um mês de vida.
  • Existe uma possibilidade remota, porém real, da utilização da antecipação da herança para o empréstimo garantido.
  • Utilizando minha bola de cristal que tem uma taxa de acerto de incríveis 50%, diria que a bolsa está sobrevalorizada...
  • Você sabia que o investidor não precisa "acreditar" na teoria dos mercados eficientes para investir em índices?
  • Eu ODEIO o maldito investidor que vende pra mim 1 ou 3 PIBBs e trava minha ordem inteira! Que tipo de idiota vende 1 PIBB, afinal? Não quer pagar taxa de manutenção da corretora?
  • Tinha esquecido de atualizar as debêntures mês passado.
  • Se eu comprar um chiclete com uma figurinha dentro, é venda casada? ;)
  • A hora da verdade está chegando...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aplicação prática do método de mitigação do RSR.

Em virtude dos comentários de Rafael, Xico e demais, resolvi mostrar aqui na prática (utilizando o meu portfolio hipotético futuro como base) como minimizar o risco de seu suado dinheiro morrer antes de você :) .

A idéia explicada no post anterior é simples, corroborada por dados históricos não só americanos como de outros países: Como o risco a longo prazo da bolsa é menor do que da renda fixa e a curto prazo o risco da bolsa é maior do que o da renda fixa, nada melhor do que consumir $$$ da renda fixa na época que ela possui pouco risco e da bolsa após alguns anos, quando o risco será bem menor.

Vejam que essa idéia pode mudar radicalmente a noção de alocação de ativos, que é determinada não pela idéia padrão (e pouco discutida) da tolerância ao risco do investidor, mas sim pelo cálculo matemático do desvio-padrão (ou outro parâmetro que você entenda como risco) frente a uma unidade de tempo determinada. Logo, uma questão fundamental precisa ser respondida: em que momento o desvio-padrão da bolsa fica abaixo da renda fixa? 5 anos? 7? 15? Infelizmente não tenho essa resposta, nem teria utilidade obter essa resposta hoje, pois essa pergunta só precisará ser respondida no momento da aposentadoria (ou, no máximo, alguns poucos anos antes).

No meu caso, digamos que quando eu tiver 42 anos eu tenha um portfolio no valor de R$3.000.000,00 conforme planejado. Planejo consumir R$120.000,00 ao ano, corrigidos pela inflação. Com uma alocação de ativos bolsa/renda fixa em 80%/20%, ficaria com R$2.400.000,00 na bolsa e R$600.000,00 na renda fixa. A partir daí eu começaria a retirar R$10.000,00 por mês da renda fixa, INDEPENDENTE do comportamento da bolsa, ATÉ a exaustão dos R$600.000,00. A partir daí, meu portfolio seria 100% bolsa, mas lembrem-se: foram R$2.400.000,00 que ficaram parados por no mínimo 5 anos (600.000/120.000 = 5), provavelmente um pouco mais em virtude do retorno da RF. A partir daí começaria a retirar apenas da bolsa e nunca mais compraria um título de renda fixa. Lembrem-se que toda aposentadoria "antecipada" possui risco, e esse é um dos métodos menos arriscados de se aposentar.

Uma alternativa seria, próximo ao final dos 5 anos, comprar mais R$600.000,00 + inflação em títulos, dando uma folga de + 5 anos para a bolsa. Vejam que esses anos de renda fixa são determinados pela sua alocação de ativos (uma alocação 72/28 me daria 7 anos de tranquilidade, mas um maior risco de não ter retorno suficiente em virtude da menor alocação na bolsa).

Notem que essa não é minha posição final: ainda é um assunto em estudo de minha parte, já que não tenho a menor pressa em me definir quanto a isso!

sábado, 15 de agosto de 2009

Métodos de mitigação do RSR e sobrevivência do Portfolio

Nota: Esse texto tem como base o artigo "Is rebalancing a portfolio during retirement Necessary?" de John J. Spitzer.

Vimos no post sobre RSR que vários estudos foram feitos nos EUA com diferentes métodos de retirada de valores em um portfolio com o objetivo de aumentar a sua sobrevivência após um período definido. Vejam que o foco nesse tipo de portfolio não é o crescimento, mas a mera sobrevivência. É óbvio, no entanto, que quanto maior o crescimento maior tende a ser a sobrevivência deste, mas a gestão de risco passa a ter um papel principal.

No artigo que mencionei na nota acima, John J. Spitzer utilizou vários métodos para saber qual tinha a maior chance de sobreviver num período de 30 anos de retiradas mensais, modificando a alocação em bolsa de 30% a 80%, retirando entre 3% e 7% do portfolio ao ano, corrigido pela inflação. Os métodos foram: Rebalancear a cada ano, retirar o ativo que teve maior performance no ano, retirar o ativo que teve pior performance no ano, retirar da renda fixa sempre que possível e retirar da bolsa sempre que possível.

Independente do percentual retirado e da AA (alocação de ativos), retirar primeiramente da bolsa de valores foi SEMPRE o pior método, chegando a incríveis 100% de falha em algumas situações (retirando 7% a.a. com 40% do portfolio na bolsa, p.ex.).

O melhor método, surpreendentemente, foi efetuar as retiradas sempre que possível da renda fixa (bonds first). A utilização de tal método levará inexoravelmente o portfolio a uma alocação de 100% em bolsa, mas por incrível que pareça essa é a tática com menor risco (se entendermos risco como shortfall risk).

Com a alocação renda fixa/bolsa em 30%/70%, retiradas até 5% ao ano através do método bonds first tem uma taxa de falha de 16%. Se fizermos o rebalanceamento todo ano, a taxa sobe para 29%. Se tirarmos primeiro da bolsa, 49%. Se tirarmos do ativo que rendeu mais no ano, 22%.

A estratégia bonds first é a melhor em TODOS os períodos estudados, INDEPENDENTE da alocação dos ativos e do percentual retirado anualmente. Sempre que o indivíduo efetua o rebalanceamento, o shortfall risk sobe em média 4,8%. O rebalanceamento não diminuiu de forma estatística significante o shortfall risk mesmo em períodos mais curtos de 15, 20 e 25 anos.

Além disso, e corroborando diversos outros estudos, quanto maior a parcela do indivíduo na bolsa (até o limite de 80%), maior a chance de sobrevivência.

O motivo de tal performance faz sentido: a bolsa possui menos risco do que a renda fixa a longo-prazo, como bem mostrou o livro Stocks for the Long Run. Portanto, nada mais lógico do que um "buffer" de curto prazo em renda fixa com o objetivo de diminuir o desvio-padrão do investimento em bolsa com o decurso de alguns anos, mitigando de forma significativa o RSR. Tal fato é tão relevante que sistemas inteiros de retiradas são feitos com base nesse fato (procurem por Grangaard Strategy e textos de Ray Lucia).

Para mais informações, leiam o artigo de John J. Spitzer (em inglês) e o método de Grangaard (em inglês) que mencionei acima.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Me sentindo gente pela primeira vez na vida :)

Com o fim da farra do empréstimo garantido e o início da sua devolução, pela primeira vez na minha vida utilizei o mercado "normal" (não-fracionário) para comprar PIBBs. Terra estranha, ordens de 1.000, 3.000 quotas e eu lá, sardinha-mirim, com minha gloriosa ordem de 100 PIBBs.

O saldo final foi 100 PIBBs compradas a R$79,33 cada. Sem stress de ordens parcialmente executadas como acontece no mercado fracionário. Enriquecimento mesmo 0, pura realocação de ativos.

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PS: Alguém por acaso sabe por onde anda o projeto de lei pra regulamentar o IR na poupança? E a medida provisória que iria aliviar o IR dos fundos de renda fixa? Deram xabu?

Brasil-sil-sil...

sábado, 1 de agosto de 2009

Atualização Mensal: Julho 2009 (R$72.379,45, +R$7.907,40)

Essa alta da bolsa tá me preocupando. Quero essa merda barata pelo menos até outubro (mas o que é barato e o que é caro tratando-se de mercado de ações? É tão fácil responder isso quanto comprar na baixa e vender na alta!).

Meus gastos mensais foram altos e serão até outubro conforme mencionei antes. Vou gastar no mínimo R$2.000,00 por mês até lá. Foi uma decisão muito pensada e que hoje não tenho dúvida que está valendo (muito) a pena. Os trocados que ainda assim tenho conseguido juntar são pequenos milagres monetários kkk.

Gráfico que vocês já conhecem (cliquem pra verem maior):


Portfolio cada vez mais gordo (tendendo para a obesidade), com alguns meses de gordura prontinhas para alimentar o urso eternamente a espreita. Crescimento do portfolio de 12,26% no mês.

Alocação de ativos do portfolio:


A mamata do empréstimo garantido vai diminuir ou pelo menos parar de crescer nos próximos meses. Agora é socar o que der em PIBB.

Os juros do empréstimo (~R$250,00) foram utilizados para compra de PIBBs. Foram 23 esse mês a 77,60 cada.

Portfolio em valores:


O ROI tá ficando bonito, mas sinceramente quero essa bolsa baixa até outubro quando vai rolar um aporte significativo que já mencionei aqui!

Notas relevantes:

  • A Link finalmente tomou vergonha na cara e está passando a acompanhar o IBRX-50 pelo ticker IBXL. \o/
  • Ganhei pouco mais de 20 reais esse mês com aluguel de ações(quotas). Já paga a corretagem mensal com juros e correção e ainda sobra pra comprar umas cervas :D
  • Por falar em aluguel, desde fevereiro tenho alugadas 100 PIBBs minhas a 50 e poucos reais cada. Imagine o FUMO que o cara não tá levando hoje kkk.

Excelente Agosto pra todos! Vou curtir meu fds!