quinta-feira, 19 de julho de 2012

As múltiplas dimensões do risco

Taí um tema absolutamente central e ao mesmo tempo muito incompreendido pelos investidores: RISCO. De todas as definições que eu já vi sobre o tema, a melhor foi a de, salvo engano, William Bernstein: "Risco é a possibilidade de você não ter o dinheiro quando se precisa dele".

Essa definição é interessante pois abrange duas dimensões do risco que a meu ver funcionam como uma gangorra:

  1. O risco de quando você precisar do investimento o mesmo ter desvalorizado significativamente
  2. O risco de você não ter o dinheiro necessário pela baixa rentabilidade do investimento. 
Vejam que se um investimento tem pouco risco de se desvalorizar ele quase sempre tem um risco maior de não te dar a rentabilidade necessária e vice-versa.
Seriam os FIIs a "gangorra" em estado de equilíbrio?


A visão das dimensões do risco esclarece muitas situações e permite deduzirmos ações em tantas outras. Por exemplo, uma pessoa muito rica por dedução deve quase que forçadamente ter uma baixa posição em ações, pois a baixa rentabilidade não é um fator de risco para ela já que a mesma possui o dinheiro necessário para suprir suas necessidades. Outra dedução é que a própria renda fixa pode ser muito arriscada para aqueles que necessitam de uma alta taxa de retorno para o seu portfólio.

Além das dimensões do risco dos ativos, existem as dimensões do risco do investidor,  uma trindade que abrangem os seguintes aspectos: 
  1. A necessidade de se correr o risco
  2. A possibilidade de se correr o risco
  3. A vontade de se correr o risco 
A necessidade de se correr o risco pode ocorrer por exemplo em um portfolio de um aposentado que não tem um montante suficiente para sustentar seu padrão de vida, sendo necessário investir em ativos com maior expectativa de retorno mas com mais chance de ter seu montante reduzido no momento mais necessário.

Um investidor que trabalha numa empresa a beira da falência e sem nenhum tipo de colchão de segurança não tem muitas possibilidades de investir em ações. Da mesma forma alguém que precise a todo custo de um montante elevado em um determinado período não possui o "luxo" de investir em ativos de baixa rentabilidade.

Por fim, há o bom e velho critério psicológico: de nada adianta o investidor aplicar tudo em ações e não conseguir dormir ou investir tudo em FIIs e sonhar que a bolha vai estourar em cheio no seu portfolio.

Muitos podem imaginar "Caramba, mas que viagem do VR esse monte de texto teórico e abstrato não tem aplicação prática nenhuma!". A meu ver sem esse conhecimento prévio da(s) verdadeira(s) natureza(s) do risco é impossível ao investidor fazer corretamente sua alocação de ativos. No meu caso, em Janeiro percebi que, apesar da minha vontade e possibilidade de correr risco de volatilidade serem altas, a minha necessidade de correr risco diminuiu, o que implicou na gradual diminuição do portfólio de ações de 70% para 33%. A necessidade de "jogar" vai diminuindo na exata medida em que você percebe que está ganhando o jogo. Em "economês", a utilidade marginal da riqueza decrescente diminui o risco da baixa rentabilidade de um portfólio.

Até porque a expectativa de retorno é mera expectativa...

A verdade, no entanto, é que investimento é tanto ciência como arte. Não existe uma resposta objetiva em muitos casos, já que todo investimento deve se adequar às dimensões do risco de cada um. É fundamental ao investidor avaliar a sua necessidade, vontade e possibilidade de correr o risco tanto de volatilidade quanto de menor rentabilidade.

sábado, 14 de julho de 2012

Vamos falar de Renda Fixa - Parte I - Riscos

Como vocês bem sabem, com o aumento dos meus aportes a minha necessidade de retorno do portfólio diminuiu, sendo prudente, portanto, gerar uma maior redução na variância mediante a inclusão da boa e velha renda fixa.

Numa mega ultra rápida introdução, a renda fixa nada mais é do que uma classe de investimentos cujo retorno possui suas regras definidas no momento da aplicação, sendo quase sempre a compra de uma dívida de terceiro (não raro vemos em publicações estrangeiras mencionarem a renda fixa simplesmente como debt).

De acordo com o modelo de 5 fatores de risco de Fama-French, há dois fatores de risco para a renda fixa: term/duration/interest rate risk (risco de termo/duração/taxa de juros) e default/credit risk (risco de calote/crédito)

RISCO DE TAXA DE JUROS:


O risco da taxa de juros nada mais é do que o risco que o investidor tem de, quanto maior for o prazo do título, maior é a possibilidade dele ser atingido por variações na taxa de juros e/ou inflação.

Vejamos como andam as taxas de juros no TD hoje:


Por que o investidor se satisfaz em obter 8,35% a.a. sendo que o mesmo título vencendo um ano depois paga 8,89%? Por conta do risco da taxa de juros. A mudança de 1% na taxa de juros equivale na variação de 1% por ano de duração do título. Trocando em miúdos, se a taxa cai 1% no título com vencimento em 20 anos isso significa uma valorização/desvalorização de ~20% do ativo! Não é incomum, portanto, títulos mais longos amargarem prejuízos de 5-10% num único mês, gerando muita volatilidade no portfólio.

Aí o investidor perspicaz me pergunta: Mas VR, eu tô pouco me lixando pra volatilidade pois sei que no final do período terei obtido o yield contratado no início!

O grande erro desse raciocínio chama-se inflação. Como todo investidor deveria saber, o retorno a ser obtido por um portfolio é o retorno real de um ativo, retorno esse que está sob risco em caso de aumento significativo da inflação. Apesar da taxa nominal ser determinada no momento da compra, só saberemos o retorno real ao final do período, quando então você poderá ter menos do que investiu em termos reais.

Aí você retruca: Ok VR, mas e os títulos indexados ao IPCA? A inflação pode ir na lua e eu terei meu retorno real garantido!

Como vocês deveriam saber, taxas de inflação suficientemente altas e com prazos mais curtos (poucos anos, obrigado Major!) podem tornar as NTN-Bs com retorno real negativo por conta do IR conforme discuti em um artigo anterior. Além disso, mesmo aqueles possuidores de NTNBs continuam incorrendo num risco indireto do risco da taxa de juros que é o risco do custo de oportunidade: em caso de aumento da taxa de juros você não poderá aproveitar a taxa nova por estar travado em um título com rentabilidade inferior. Por fim, em caso de liquidação antecipada de um título o investidor tem uma chance maior de obter inclusive perdas nominais em caso de aumento da taxa.

Esse tipo de risco em particular foi recompensado em média nos EUA em ~2,5% a.a. (LT Gov - T-Bill)

RISCO DE CRÉDITO:

Como o próprio nome diz, esse é o risco que o investidor incorre pelo risco de levar o calote do pagador. Quanto mais improvável for o pagamento maior é a taxa de juros exigida pelo credor/investidor. Esse é o motivo do BNDES ter que pagar mais do que o Tesouro para se endividar e o motivo pelo qual bancos médios pagam mais que bancos grandes em taxas de CDBs/LCI/LCA.

Nos EUA esse risco praticamente não foi recompensado, com um retorno extra de 0,18% a.a. (LT Corp -LT Gov).

Quando estamos falando de renda-fixa, portanto, temos que ter claro essas duas dimensões de risco. O investidor que de forma pouco cautelosa investe em títulos de longuíssima duração (15-30 anos) sabe que está sujeito a uma volatilidade semelhante à de ações, com alto risco de perda real e bastante significativa em caso de inflação (caso não sejam atrelados a um índice inflacionário) ou aumento da taxa de juros com resgate antecipado. Da mesma forma, o investidor que compra debêntures ou CDBs em larga escala a uma taxa maior pode se ver sequer sem o principal em caso de calote do emissor da dívida.

Nos EUA o risco da taxa de juros foi porcamente recompensado com títulos com vencimento acima de 5 anos, levando grandes mestres de investimentos como Bernstein a recomendar apenas títulos curtos (1-5 anos).

Além disso, nos EUA há uma aversão da doutrina muito grande com relação aos junk bonds (dívidas podres, pense em grau máximo Grécia ou em grau menor Gafisa), alegando (não sem razão) que esses títulos possuem risco semelhante ao de ações, gerando ineficiências de ordem tributária e alocação de ativos. Há divergências, no entanto (notadamente Rick Ferri).

E no Brasil? Bem, pouco se fala de renda fixa aqui nessa terra amaldiçoada fora aqueles cálculos do tipo "Vale mais a pena fundo de investimento ou poupança?". Ridículo. Graças a nossa tributação e ao nosso sistema legal, há alguns raros "almoços grátis" a serem capturados, mas isso fica pro próximo artigo...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

De volta às origens

Os anos se passaram, os aportes aumentaram, o tempo diminuiu e o patrimônio cresceu. Olhando o blog vi que, desde janeiro, nada aqui produzi. O último artigo sobre investimentos tem mais de 6 meses. O último artigo realmente interessante tem quase 2 anos! 

O resultado disso era óbvio: a queda da qualidade dos comentários e a atração de pessoas que nada servem além de tumultuar o blog. Já fui acusado de gigolô, fake, etc. No cenário geral, os blogs se proliferaram, mas pouco realmente foi adicionado. "Comprei R$XXXX de XXX, peguei uma mulher no bar, rumo aos XXX mil!". Pura "pornografia financeira" que nada adiciona além do instinto voyeurístico de cada um.

Resolvi, portanto, mudar. Sai o foco no meu portfólio (que ainda está descrito de forma breve acima) e nas atualizações mensais e voltam ao seu lugar aquilo que sinto que a comunidade financeira está extremamente carente: Artigos sobre investimentos e finanças pessoais que não sejam meras informações regurgitadas em outros lugares.

Que o blog seja aquilo que sempre foi no início: um lugar para discutirmos idéias e para nos motivarmos, não para medir o e-pênis de cada um e se aproveitar do anonimato para vomitar merda pelo teclado.

A discordância é não só permitida como estimulada, mas lembrem-se: estamos aqui para discutirmos idéias. QUALQUER tipo de ofensa ou comentário meramente inflamatório será fortemente moderado a partir de agora.

Para os mais curiosos, meu patrimônio estará disponível no ranking do Pobretão e minha rentabilidade no ranking do General.

Para os desconfiados, haverá prova do milhão quando chegar a hora.

Para os trolls, fodam-se.

Para os demais, sejam novamente bem-vindos para o novo velho Viver de Renda.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Atualização Mensal: Junho 2012

Finalmente alguma movimentação no meu até então parado portfólio! No final do mês recebi uma grata notícia, que cumulada com um empurrãozinho de ajuda resultaram num aporte pra lá de substancial de nada menos que incríveis (para mim, pelo menos) ~R$80.000,00. 

Conforme já adiantado na atualização de janeiro, estou buscando o portfolio 1/n (para três classes, 33/33/33), já que minha necessidade de risco é menor. Resultado: o aporte foi integralmente investido em FIIs, tornando-me ao final do mês ~R$91.000,00 mais rico e chegando a um patrimônio investido de R$677.532,27.

Valores:


Mais um mês com performance espetacular dos FIIs, custeados claro por uma diminuição do yield e portanto diminuindo a expectativa de retorno do ativo (que com a selic estável calculo entre 12-12,5% a.a.). Renda Fixa muito forte graças aos CDBs Sofisa e Ficsa. Overperformance do MLV e under do SMV. A vergonha do mês vai mais uma vez para o Ibov, que nesse mês deveria ser chamado honorificamente de IbovespaX...

Posição atual do portfolio de imóveis:


Foram comprados os seguintes FIIs:

  • PRSV11 (a R$1315,00)
  • CNES11B (a R$122,X-R$123,00)
  • FLMA11 (a R$1,75-R$1,78)
  • FPAB11 (a R$390,00)
  • HGBS11 (a R$2130,00)
  • HGJH11 (a R$1350,00, comprei mal)


No portfolio em imóveis pretendo ter peso igual entre ativos, com exceção de HTMX11B e NSLU11B (me arrependi e não compro mais imóveis build-to-suit). Ainda estou pensando se aumento o peso de MBRF11, estou achando meio caro pelo perfil de risco dele.

E pelo amor de Deus gente, vamos parar de comprar BCFF11B! Vamos estudar!

Portfolio:




Eu não tenho a mínima idéia de previsão de aportes para os próximos meses, mas vamos em frente, ainda que mal consiga enxergar no meu futuro sequer um pálido ponto azul...

Rumo ao milhão!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Atualização Mensal: Maio 2012

Já está ficando chato começar a atualização mensal da mesma forma, mas ultimamente minha vida financeira, para o bem ou para o mal, tem sido um verdadeiro marasmo. Com minha receita comprometida desde final de janeiro, meu aporte mais uma vez foi, adivinhem, zero.

Como fizeram questão de bater no cachorro morto do Ibov esse mês, o prejuízo mensal chegou a ~R$19.000,00, ou -3,1%. Um nabo grosso de toda forma, mas até certo ponto lubrificado pela costumeira e bem-vinda diversificação. Imaginem se eu estivesse com um portfolio 100% BOVA11 e perdendo R$65.000,00 no mês... é muito difícil ser corajoso com um portfolio que representa 10 anos de suor e sangue!

Valores:


LV lixo, SMV ruim, Imóveis decolando e renda fixa caminhando e apreciando a paisagem. Notem a ABSURDA overperformance do portfolio SMV com relação ao benchmark SMLL, mais de 7% de diferença em apenas 1 mês! O nome disso chama-se CONSTRUTORAS. Ou melhor, falta delas. Vejam também que essa alta dos FIIs é claramente insustentável no longo prazo e estão baseadas em parte numa piora do valuation por conta da queda da taxa de juros o que, pra quem investe, é uma merda.

Vejam também que esse mês foi o recorde de dividendos e JSCP recebidos, quase R$4.000,00! Esse também foi o 1o mês sem corretagem! 

Gráficos usuais:




Ainda esperando os aportes chegarem para efetuar a mudança do portfolio comentada em Janeiro, sendo que pouco pude aproveitar do "bonde" tanto da renda fixa quanto dos imóveis. Justamente a classe de ativos que pretendo deixar quieta fez questão de ficar mais barata. Foda.

Apesar disso, esse mês como vocês sabem surgiu a oportunidade do ECOO11. Com o BNDES disponibilizando um PUT com prazo de 1 ano, trata-se de um daqueles raros momentos em investimentos de um verdadeiro almoço grátis. Só o put, de acordo com black-scholes, vale ~5%. Como se trata de um fundo "blend" large cap, aliado à corretagem 0 e taxa de administração baixa (0,38%), reservei R$6.500,00 (dinheiro que tinha na corretora), com a decisão tomada da venda em 12 meses, seja pro mercado ou BNDES, por razões óbvias.

Excelente mês a todos! Rumo ao milhão!!!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Atualização Mensal: Abril 2012

Mais um mês completado e mais um mês em que nada consegui aportar, verbo esse que aliás não conjugo desde janeiro. No entanto, isso não me preocupa uma vez que, quando eles voltarem, será com força total (ou não).

No mais, esse foi um mês que, ainda que forçosamente, consegui me desligar um pouco dos meus investimentos e passei uns bons dias sem sequer saber como tinha fechado o Ibov, o que é um bom sinal pra quem sofre de graficus conferentitis.

Valores:


Esse mês não fiz nenhuma alteração no portfolio, salvo a compra de 13 EDFO11B por R$215,00 cada como reinvestimento parcial dos dividendos/aluguéis recebidos, motivo pelo qual sequer me dei ao trabalho de mostrar meu portfolio detalhado que continua felizmente igual.

Esse mês foi gordo em termos de dividendos, largamente por conta da bonificação da Oi e em menor grau pelas smalls/micros FJTA4, DAYC4 e CGRA4.


Gráfico:


Houve underperformance tanto do portfolio MLV quanto do SMV, causados respectivamente por BBAS3 e BICB4/MGEL4.

Ainda assim, graças à costumeira diversificação o nabo entrou mais devagar e consegui  permanecer acima dos R$600.000 acumulados.

Lembrem-se, povo, paciência e persistência são fundamentais.

Rumo ao milhão, a cada dia mais distante!

sábado, 31 de março de 2012

Atualização Mensal: Março 2012

Mais um mês completado e mais um mês em que nada pude aportar devido a gastos com Ipads, Iphones e carro novo (haha, quem dera), restando-me a árdua tarefa de queimar paulatinamente o colchão de segurança e reinvestir parte dos aluguéis e dividendos.

Apesar dos pesares, foi um bom mês para o meu portfolio, com apreciação mensal líquida de 1,76%, o que significa que estou ~R$10.600,00 mais rico.

Seguem os gráficos usuais:


Overperformance tanto do meu portfolio mid-large cap quanto das small-micro caps. Destaque negativo pro Ibov que ainda está num valor inferior de 13 meses atrás e positivo para os FIIs, cuja performance recente se deveu largamente à troca do FEXC11B pelos MBRF11 e CNES11B.



Portfolio inalterado, gastei uma única corretagem comprando 1 quota PRSV11 (FII) por R$1.180,00 como reinvestimento parcial dos aluguéis/dividendos recebidos.


Coloquei a volatilidade histórica dos portfolios na tabela, que agora está bem completa. Notem como a volatilidade dos FIIs é bem menor que a das ações, mesmo possuindo menos ativos. Apesar da discussão que existe acerca dos REITs lá fora, não tenho dúvida que trata-se de fato de uma classe diferente de ativos, mesmo sendo negociada em bolsa.

Vejam também como a volatilidade da renda fixa é praticamente inexistente, já que ainda não invisto diretamente em títulos e portanto não estou sujeito às mudanças da taxa de juros, mas também não tenho liquidez.

Vejam que a volatilidade do portfolio é menor que a volatilidade dos ativos ponderados, conclusão óbvia da diversificação de ativos que não são perfeitamente correlacionados (finanças 101).

Notem também que, mesmo sem receber juros da renda fixa, estou conseguindo gerar uma renda passiva anual acima de 4% a.a., quem sabe no longo prazo consiga viver apenas de dividendos/aluguéis/juros caso o yield permaneça semelhante até lá, e quando chegar nos 80 queimar metade do portfolio com ferrari(s), mansão e panicats pobretão-style. Pense em consumo ineficiente.

Por fim, vejam que já ganhei quase R$2.500,00 só em aluguéis de ações! Trocadinho bom!

Espero poder aportar alguma coisa em abril, pois quero chegar ao milhão ainda esse ano! Tá difícil, mas vamo que vamo!

Atualização Mensal: Março 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Atualização Mensal: Fevereiro 2012

Conforme previsto na atualização de Janeiro, esse foi o primeiro mês desde que comecei a investir de forma séria (início de 2008) que eu não fiz qualquer aporte. Ainda assim, graças ao bom desempenho do portfolio eu superei a marca dos R$600.000,00 investidos. Não sei se conseguirei fazer algum aporte no mês de março.

Seguem os gráficos usuais:


Overperformance frente ao MLCX, underperformance pro SMLL e IBOV. O pior desempenho nos 12 meses desde que comecei a acompanhar a performance do portfolio vai para o Ibov, com -2,33% no ano. Segue a performance dos portfolios de fev/11 a fev/12:

Ibov: -2,33%
MLV: +0,68%
MLCX: +1,31%
SMV: +1,77%
SMLL: +6,91%
RF: +15,05%
Imoveis: +20,76%
Portfolio VR: +6,41%

Portfolios detalhados:


Investimento de dinheiro de venda na CGRA4 na compra da própria CGRA4 a R$12,8X e dos dividendos e aluguéis em 17 quotas CNES11B a R$111,75 cada.

Valores:


Rumo ao milhão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Atualização Mensal: Janeiro 2012

Mudanças à vista!

Em virtude de mudanças no meu trabalho, os aportes passarão a ser esporádicos e de valor variável. No entanto, uma coisa tornou-se óbvia: a necessidade de risco diminuiu consideravelmente e, da mesma forma que ocorreu em fevereiro de 2011, mais uma rodada de "conservadorização" se fez necessária. A alta recente do Ibov tornou essa decisão ainda mais fácil.

De acordo com minha política pessoal de investimento, eu previ um aumento gradual na alocação em RF e em Imóveis com o aumento do portfolio. Como tudo indica que esse crescimento deve ser acelerado em 2012 (objetivo de 1 milhão no fim de 2012), comecei desde já a diminuir a volatilidade do portfolio, objetivando o portfolio chamado "1/n", ou "naive diversification", em que se divide em partes iguais cada classe de ativo. Como invisto em 3 classes, são 33% do portfolio por classe.

Pesquisa realizada anteriormente durante a elaboração do IPS no portfolio 1/n:

  • Optimal Versus Naive Diversification: How inefficient is the 1/n Portfolio Strategy?
  • Approximating the Numeraire Portfolio by Naive Diversification
  • 1/N and Long Run Optimal Portfolios: Results for Mixed Asset Menus

Vamos às mudanças:


Portfolio de ações:


33% de cada portfolio de ações deve possuir ações defensivas, daí o investimento em CLSC4, COCE3, EQTL3 e CSMG3 e o desinvestimento em ENBR3 e CESP6.

Em virtude do aumento do investimento de imóveis foram liquidadas as posições indiretas em imóveis (BRML3, GFSA3, BISA3, EVEN3, RSID3), além de conferir alguma proteção contra uma eventual bolha imobiliária.

Foram liquidadas também ações com variação elevada de lucros/lucros recorrentes negativos (POSI3, PMAM3, INEP4(A 2,85!), MRFG3, JBSS3 (A 6,94!), SULT4, BRKM3, CTNM4, SGPS3), com exceção de ações cuja desvalorização compense a variação (MGEL4, FJTA4, TERI3, SFSA4). A base dessa decisão também foi a de diminuir o risco do portfolio, ainda que sacrifique em parte o retorno.

Foi feito um aporte maior em BBAS3 por razões puramente de valuation (Cresc. rec. ok, div yield alto, pvpa baixo, pe baixo), a 23,XX cada.

Todas essas mudanças foram feitas no mês de dezembro, portanto no geral vendi barato e comprei barato, principalmente FJTA4, MGEL4, TERI3 e BBAS3.

O foco continua o mesmo: ações com baixo p/vpa, com menor foco em seguir o índice (principalmente o SMLL) e portanto mais sujeito a tracking error, além de menor volatilidade por conta da alocação maior em ações de saneamento/elétricas.

Imóveis:

Liquidei completamente minha posição em FEXC11B puramente por uma questão de yield (~0,6% a.m. real) a R$109,99 cada, e com esse valor comprei R$10.500,00 de CNES11B a R$105,00 cada e R$30.720,00 de MBRF11 a R$1.024,00 cada, além de um aporte menor de 10 FPAB11 a R$315,02 cada (não está no gráfico por erro meu) A aporte maior em MBRF11, assim como em BBAS3, ocorre puramente por questão de valuation. O objetivo é possuir 15 FIIs no portfolio.

Renda fixa:

Foram adquiridos R$44.000,00 em CDBs do banco Ficsa com vencimento em janeiro de 2016 a uma taxa de ~12,29% a.a. (valor final será de R$69 mil reais, portanto integralmente dentro da proteção do FGC). Já estou com quase 100k em Renda Fixa, e o objetivo é 33% do portfolio.

Portfolio e resultados:


Em geral o mês foi excelente para todos os portfolios, em especial para o MLV, que mesmo investido pesadamente em ações defensivas conseguiu superar o índice MLCX, apesar de perder para o Ibov. Já o SMV perdeu feio do SMLL e devolveu quase que integralmente a overperformance que teve em dezembro.

Como resultado, estou com quase R$580.000,00 de patrimônio e o portfolio teve um crescimento orgânico de ~+5% e de ~14% graças ao aporte de R$44.000,00 feito em renda fixa. Ao que tudo indica não farei mais nenhum aporte em bolsa esse ano, salvo rebalanceamentos internos. Obviamente também não farei nenhuma venda de ação para obter o portfolio 1/n, já que a existência desse tipo de portfolio está condicionada à existência de aportes elevados.

Não há expectativa de aporte no mês de fevereiro, salvo o reinvestimento de dividendos e aluguéis, já que estou com sérios problemas de fluxo de caixa!

Rumo ao milhão!