Taí um tema absolutamente central e ao mesmo tempo muito incompreendido pelos investidores: RISCO. De todas as definições que eu já vi sobre o tema, a melhor foi a de, salvo engano, William Bernstein: "Risco é a possibilidade de você não ter o dinheiro quando se precisa dele".
Essa definição é interessante pois abrange duas dimensões do risco que a meu ver funcionam como uma gangorra:
- O risco de quando você precisar do investimento o mesmo ter desvalorizado significativamente
- O risco de você não ter o dinheiro necessário pela baixa rentabilidade do investimento.
Vejam que se um investimento tem pouco risco de se desvalorizar ele quase sempre tem um risco maior de não te dar a rentabilidade necessária e vice-versa.
Seriam os FIIs a "gangorra" em estado de equilíbrio?
A visão das dimensões do risco esclarece muitas situações e permite deduzirmos ações em tantas outras. Por exemplo, uma pessoa muito rica por dedução deve quase que forçadamente ter uma baixa posição em ações, pois a baixa rentabilidade não é um fator de risco para ela já que a mesma possui o dinheiro necessário para suprir suas necessidades. Outra dedução é que a própria renda fixa pode ser muito arriscada para aqueles que necessitam de uma alta taxa de retorno para o seu portfólio.
Além das dimensões do risco dos ativos, existem as dimensões do risco do investidor, uma trindade que abrangem os seguintes aspectos:
- A necessidade de se correr o risco
- A possibilidade de se correr o risco
- A vontade de se correr o risco
Um investidor que trabalha numa empresa a beira da falência e sem nenhum tipo de colchão de segurança não tem muitas possibilidades de investir em ações. Da mesma forma alguém que precise a todo custo de um montante elevado em um determinado período não possui o "luxo" de investir em ativos de baixa rentabilidade.
Por fim, há o bom e velho critério psicológico: de nada adianta o investidor aplicar tudo em ações e não conseguir dormir ou investir tudo em FIIs e sonhar que a bolha vai estourar em cheio no seu portfolio.
Muitos podem imaginar "Caramba, mas que viagem do VR esse monte de texto teórico e abstrato não tem aplicação prática nenhuma!". A meu ver sem esse conhecimento prévio da(s) verdadeira(s) natureza(s) do risco é impossível ao investidor fazer corretamente sua alocação de ativos. No meu caso, em Janeiro percebi que, apesar da minha vontade e possibilidade de correr risco de volatilidade serem altas, a minha necessidade de correr risco diminuiu, o que implicou na gradual diminuição do portfólio de ações de 70% para 33%. A necessidade de "jogar" vai diminuindo na exata medida em que você percebe que está ganhando o jogo. Em "economês", a utilidade marginal da riqueza decrescente diminui o risco da baixa rentabilidade de um portfólio.
Muitos podem imaginar "Caramba, mas que viagem do VR esse monte de texto teórico e abstrato não tem aplicação prática nenhuma!". A meu ver sem esse conhecimento prévio da(s) verdadeira(s) natureza(s) do risco é impossível ao investidor fazer corretamente sua alocação de ativos. No meu caso, em Janeiro percebi que, apesar da minha vontade e possibilidade de correr risco de volatilidade serem altas, a minha necessidade de correr risco diminuiu, o que implicou na gradual diminuição do portfólio de ações de 70% para 33%. A necessidade de "jogar" vai diminuindo na exata medida em que você percebe que está ganhando o jogo. Em "economês", a utilidade marginal da riqueza decrescente diminui o risco da baixa rentabilidade de um portfólio.
Até porque a expectativa de retorno é mera expectativa...
A verdade, no entanto, é que investimento é tanto ciência como arte. Não existe uma resposta objetiva em muitos casos, já que todo investimento deve se adequar às dimensões do risco de cada um. É fundamental ao investidor avaliar a sua necessidade, vontade e possibilidade de correr o risco tanto de volatilidade quanto de menor rentabilidade.