quinta-feira, 31 de março de 2011

Atualização Mensal: Março 2011 (R$480.362,91, +R$25.133,00, +2,98%)

Esse mês para mim foi um mês de novidades: ler resultados trimestrais e torcer por uma empresa como eu torço pelo meu time. Perder mais algum tempo calculando valores de quotas a cada nova compra. Abrir diariamente o home broker pra ver as maiores altas e maiores baixas, bem como o site da CBLC pra ver que papéis foram alugados e que aluguéis foram liquidados. Acima de tudo, ver o patrimônio líquido ao final do mês e se assustar. Quase meio milhão de reais. Vocês leram essa palavra? MILHÃO. R$500.000,00 pode comprar um apto de 50m² no Leblon, mas pra mim esse valor representa muito mais: representa sonhos, suor, sorte e acima de tudo a expectativa de um futuro tranquilo, de obter a tão sonhada independência financeira. Mas vamo que vamo, pois o horizonte é longo e o caminho é tortuoso...

Esse acréscimo de ~R$25.000,00 é explicado não só pelo retorno do portfolio, mais também pelos aportes significativos, afinal apliquei 2 salários (só recebi o salário de fevereiro em meados de março) e 4 meses de trabalho que recebi de vez da minha segunda fonte de renda (que totalizou 3k). Com isso, estou 5,52% mais rico que o mês anterior e com 100% a mais de trabalho pra fazer a atualização mensal!

Patrimônio líquido:



Graças a minhas incríveis capacidades computacionais, agora vocês podem enxergar alguma coisa desse gráfico, que, por não estar em escala logarítmica não explica muita coisa. Essa barra vermelha em breve será eliminada.

Portfolio:


A grande maioria dos aportes e reinvestimentos foram dirigidos ao portfolio Small&Micro Cap Value, objetivando a alocação 10/20/35/35.

O retorno do portfolio no mês foi de +2,98%.

Portfolio Mid-Large Value:


Conforme planejado, desfiz-me de 150 quotas PIBB a R$92,30 cada, e com esse dinheiro comprei:
  • 1000 KLBN4 (Klabin) a R$6,00 cada.
  • 100 SUZB5 (Suzano) a R$13,98 cada (não me esqueci delas)
  • 300 GOAU3 (Gerdau) a R$21,91 cada.
Apesar de GOAU3 não fazer parte do índice MCLX, preferi o mesmo a GOAU4 pois, além de serem exatamente a mesma empresa, pagam exatamente o mesmo dividendo, sendo a primeira mais barata por questão de liquidez. Como eu estou me fodendo pra liquidez, paguei mais barato e vou aproveitar os dividendos maiores proporcionalmente. Por sinal, a ação afundou mais de 3% desde que eu comprei ela.

Com um dos aportes eu também comprei 100 CPLE3 a R$37,01. Eu não tinha perspectiva nenhuma de fazer compras com aporte nesse portfolio esse mês, mas quando vi no HB um leilão gigante jogando o preço lá pra baixo resolvi aproveitar a oportunidade, que até então tem valido a pena uma vez que 3 dias após a compra a ação já está valendo R$39,49. Os motivos de ter comprado CPLE3 ao invés de CPLE6 são os mesmos de GOAU3.

O retorno do portfolio do mês foi de +4,17%, ante +1,79% do Ibov e +2,15% do MCLX. Esse retorno é explicado pois, apesar de possuir boa parte em PIBBs (que renderam +1,46% no mês), eu possuo as 4 ações com maiores altas do Ibov no mês (BRTO4, SBSP3, TMAR5, CESP6).

Portfolio Imóveis:


Sem novidades por aqui. Reapliquei os aluguéis no portfolio Small Cap e devo demorar uns meses até fazer uma nova aplicação por aqui.

O retorno do portfolio de imóveis no mês foi de +2,08%.

Portfolio Small-Micro Cap Value:

Esse mês eu fiz o meu primeiro rebalanceamento forçado: vendi as BPNM4 que tinha comprado a R$5,54 por R$5,65, pois aparentemente após o último balanço o P/VPA do banco foi para 7, totalmente estranho. Com essa grana eu, após muita raiva e dias com ordens não executadas, comprei 600 IDVL4 a R$8,02 cada, para nos dias seguintes ver a ação explodir para R$9,02 e ainda ganhar um direito de subscrição de brinde.

Também foram compradas 400 BICB4 a R$11,43 cada e 100 CLSC6 a R$41,69 cada.

A JHSF3 foi sem dúvida o foguete do mês, explodindo 29,23% em um movimento digno de investigação pela CVM. O mico do mês foi POSI3, caindo -19,92%.

O portfolio teve um retorno de +3,23% no mês, ante +6,27% do SMLL. Já notei que as micro-caps possuem baixíssima correlação com a movimentação normal do mercado, então esperem números bem diferentes do SMLL nos próximos meses.

Valores:

Devido ao aumento significativo do meu patrimônio no mês anterior, resolvi calcular o retorno do portfolio mês a mês, inserindo o sistema de cotas que é um porre de se controlar (a cada retirada ou aporte as quotas precisam ser recalculadas), mas importante pra saber como a minha estratégia se sairá no longo prazo, além de fornecer ao longo do tempo todo tipo de informação interessante como correlação, desvio-padrão, etc.

Vejam que os aluguéis as ações pagam totalmente minha corretagem e, mesmo se considerarmos os emolumentos, a "taxa de administração" do meu portfolio está negativa, como eu já previ na atualização do mês anterior.

Desde já peço desculpas pela minha ausência nos comentários! Leio todos, mas tempo pra responder...

Rumo aos R$500k!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Aportes, rendimentos, dúvidas: como obter a independência financeira nessa merda de bolsa lateralizada?

Bem pessoal, eu tinha feito anteontem uma resposta enorme pra cada comentário e, pra variar, perdi tudo. Desde então surgiram diversos outros comentários, de forma que acho melhor fazer uma resposta em forma de artigo tentando englobar os principais temas abordados nos comentários.

Inicialmente quero agradecer as palavras de incentivo, tanto daqueles que estão sempre comentando por aqui (os amigos Henrique, rodpba, I40, InvFin, Léo, etc.) quanto aos novatos que tomaram vergonha na cara e resolveram aparecer.

No geral notei meio que um desânimo com os investimentos em geral. Já vi posts de outros blogs sobre "investimento" em negócio próprio, cada vez mais perguntas por aqui sobre lançamento coberto de opções (que não é pessimo, frise-se, mas inferior ao buy-and-hold, ainda mais no Brasil) e uma apreensão quanto ao futuro frente a uma inflação alta e uma bolsa lateralizada.

Vale lembrar que tivemos outros períodos laterais (1998-2002, foram 5 anos com retorno nominal de 2% e inflação alta). De fato, nós estamos na pior sequência nominal de 4 anos, ainda que incompleta (2008-2011) de toda a história, com 1% a.a. de retorno nominal. O retorno real (que é o que interessa) certamente está no plano negativo. Não vejo mais aquele oba-oba de 2007, pessoas dizendo que quem tirasse menos de 5% por mês era um imbecil, etc. Vejo muita cautela, muita diversificação, muita gente satisfeita com um yield de 0,7% de um FII.

Cabe aqui ressaltar as palavras do gênio William Bernstein, no livro "The Investor's Manifesto": "A 25-year-old who is actively saving for retirement should get down on his knees and pray for a decades-long, brutal bear market so that he can accumulate stocks cheaply". O raciocínio dele no livro é perfeito: as pessoas compram uma ação exclusivamente pelos frutos (dividendos) presentes e futuros que ela traz, e o fato de uma ação cair 50% não influi em nada nos lucros e dividendos dela. Portanto, para nós, investidores de longo prazo, quanto mais barato pagarmos por esses lucros, melhor.

É óbvio que, no geral, as empresas hoje lucram nominalmente mais do que em 2007. A conclusão, portanto, é também óbvia: o preço pago pelo lucro está menor. E isso, para nós em fase de acumulação, é EXCELENTE. Peguem praticamente qualquer bolsa mundial e vejam o retorno delas por um período longo de tempo. Em algum momento o retorno tem que acompanhar a expectativa desse retorno.

Eu sinceramente não tenho idéia se a bolsa em 2007 estava cara ou se estava no seu preço normal. O que eu tenho certeza é que, hoje, elas não estão caras e nem de longe temos uma bolha nas ações. Para mim é o suficiente.

Além disso, eu não conheço em toda a história mundial uma bolsa que, no longo prazo, não tenha sido o método mais eficiente de se investir, salvo bolhas (EUA 2000 com PL de 45, Japão 1989 com PL de 100). A maior empresa da bolsa está com PL de 10,5. A segunda maior, 8,5. A maior parte do meu dinheiro, portanto, continuará em ações.

O que estamos vendo é um caso clássico de "recency bias": a tendência do investidor de extrapolar os resultados recentes para o futuro indefinidamente. Não, o ouro não vai subir eternamente, os imóveis não vão render 30% ao ano para sempre e a bolsa não irá ter um retorno nominal de 1% até a sua aposentadoria. Foquem no longo-prazo e naquilo que é realmente importante:

  • O ouro, como toda commodity que nada produz, tende apenas a seguir a inflação.
  • A renda fixa não renderá nada além do yield.
  • Os imóveis não renderão nada além da inflação + yield dos aluguéis.
  • A bolsa não renderá nada além do lucro médio das empresas + inflação.
Cabe aqui retornar à matemática elementar dos juros compostos e relembrar aos esquecidos o poder dos mesmos:

  • R$1.000,00 investidos por mês com um rendimento real de 0,5% a.m. (~6%a.a.) valerá 1 milhão daqui a 30 anos. Se o retorno for de 0,66% a.m. (~8% a.a.) você terá 1,5 milhão.
  • R$500,00 investidos por mês com um rendimento real de 0,5% a.m. (6%a.a.) valerá 1 milhão daqui a 40 anos. Se o retorno for de 0,66% a.m. (~8% a.a.), você terá 1,7 milhão.
Notem no último exemplo que apenas 15% do valor final é obtido pelos aportes. Os 85% restantes vem dos juros compostos.

A independência financeira não é uma crença: é um resultado inevitável preenchidos os requisitos necessários (aportes constantes, tempo). Eu continuarei fazendo meus aportes e esperando pelo inevitável. E você?

terça-feira, 1 de março de 2011

Atualização Mensal: Fevereiro 2011 (R$455.229,91, +R$257.163,91)

"If only God would give me some sign...a clear sign! Like making a large deposit in my name at a Swiss bank." - Woody Allen

Essa é sem dúvida a atualização mensal mais importante que esse blog já passou. Com mais mudanças, com mais classes de ativos, com mais DINHEIRO.

~R$450.000,00. Um valor que, pela projeção patrimonial, eu só deveria atingir em 28/02/2014! Em um único mês eu acelerei minha independência financeira em 3 anos (ou, no mesmo prazo, mas 40% (!!!!!!!111onze) mais rico).

Obviamente que a pergunta número 1 é: de onde veio a grana? Roubo? Opiças a seco? Prostituí meu corpo pra uma velha cheia de rugas milionária? Não. Resta dizer que a origem foi totalmente lícita e que, por questões de privacidade, não me cabe expor aqui. Ou eu explico o que aconteceu ou eu mostro os valores. Nunca os dois. Quem acompanha o blog sabe que eu sempre prefiro o segundo, e assim seguirá por toda a eternidade.

Obviamente, esse valor muda o portfolio de praticamente qualquer um. Quem entende algo de construção de portfolio sabe que o mesmo é um resultado de uma matriz que envolve diversos fatores: idade, necessidade de retorno, resistência à volatilidade. Obviamente minha idade não diminuiu, nem minha resistência à volatilidade, mas sim minha necessidade de retorno. Com um valor tão alto tão jovem eu não preciso aplicar tudo 100% em ações, sob risco, ainda que pequeno, de retornos pífios por longos períodos.

Portanto, o portfolio precisava de ajustes. E por ajustes eu digo uma pitada de renda fixa e uma dose de outra classe de renda variável (imóveis). O objetivo é um só: diminuir a volatilidade (que, pra mim, não é risco) e proteger um pouco mais o capital. De brinde, ganho o bônus de balanceamento que faz o retorno ser um pouco maior que a média dos retornos dos ativos.

Com todo esse valor eu também pude finalmente investir nas temidas small-caps e micro-caps. Como sempre, buscando valor (valor = p/vpa baixo). Foram 28 compras num espaço de 15 dias.

Portanto, meu portfolio hoje possui 3 classes de ativos diferentes: Renda fixa (empréstimo garantido), Renda Variável 1 (Imóveis) e Renda Variável 2 (MidLarge Caps/SmallMicro-Caps). Portanto, são 4 tipos diferentes de investimento em 3 classes.

Como ficou a divisão das classes dos ativos:

  • 10% Renda Fixa
  • 20% Imóveis
  • 35% MidLarge-Cap
  • 35% SmallMicro-Cap

Quais foram os critérios para a determinação dessas porcentagens? Idade, necessidade de risco e resistência à volatilidade.

Qual a expectativa de retorno do portfolio?

  • Renda fixa = 10,54% (12,4%-IR) -> 1,54%
  • Imóveis = 12% -> 2,4%
  • MidLarge = 12% -> 4,2%
  • SmallMicro = 14,4% -> 5%

Total = 1,54%+2,4%+4,2%+5% = 13,14% a.a. Foram desconsiderados composição dos juros mensais e ganhos de rebalanceamento.

Como dizem que a teoria na prática é outra, minha expectativa pessoal de retorno é 0% por um bom tempo.

Vamos ao que interessa:

Projeção patrimonial:


Finalizado o mês de fevereiro, estou nada menos que 130% mais rico! O gráfico dá pra dar idéia da dimensão da coisa.

Portfolio:


- Mas VR, não eram apenas 10% em RF? Por que 17,5% então?

Coincidentemente, houve a oportunidade de expandir o empréstimo garantido que me rendem 1,5% a.m. Portanto, melhor 1,5% garantidos do que 1,2% previstos. Com a devolução desse valor, que deve ocorrer no curto/médio prazo, a aplicação na renda fixa será através do Tesouro Direto, mais especificamente LTN/2015. Uma conta na BANIF já foi aberta exclusivamente com esse propósito. Com o aporte atual, a expectativa é receber R$1.200,00 de juros por mês.

Também obviamente os próximos aportes irão para as Small/Micro-Caps.

Com essa divisão, meu portfolio se moverá de duas formas:
  • Rebalanceamento Inter-Classe
  • Rebalanceamento Intra-Classe
O rebalanceamento Inter-Classe ocorrerá sempre após o período mínimo de 1 ano ou valor 30% distante do definido para o ativo. Caso, após um ano, a diferença não for significativa, o portfolio seguirá sem balanceamento Inter-Classe. O objetivo é um só: minimizar custos. Há vários estudos que demonstram que um rebalanceamento infrequente (a cada 1-3 anos) é tão bom quanto um frequente (3-6 meses).

O rebalanceamento Intra-Classe ocorrerá em duas hipóteses:
  • Sempre que um ativo obtiver rentabilidade de 100% e tiver ocorrido o período mínimo de 2 anos o mesmo será vendido até o preço médio de um ativo da classe. Os aportes devem sempre ser feitos em empresas novas ou em empresas com o menor valor dentro do portfolio até o preço médio de um ativo da classe.
  • Sempre que um ativo não satisfaça os critérios de valor (p/vpa muito alto) até um valor 20% maior que o ativo de menor p/vpa fora do portfolio o mesmo permanecerá no portfolio. Caso contrário, será vendido imediatamente e trocado pelo ativo da mesma classe de menor p/vpa fora do portfolio.
O segundo ponto é especialmente importante. Diversos fundos passivos de valor desenvolveram os "holding bands", que são destinados a ativos que saíram dos critérios estritos do fundo mas que ainda estão perto o suficiente para ainda possuírem algum valor. Esse "buffer" evita sucessivas compras e vendas por diferenças minúsculas e diminui de forma significativa o turnover e portanto os custos.

É importante vocês entenderem que meu objetivo não é fazer gestão ativa, muito menos análise fundamentalista das empresas: meu objetivo é criar, ao menos nas ações, fundos pessoais PASSIVOS que seguem critérios OBJETIVOS para a compra e venda de ações.

Portfolio Mid/Large-Value:



Frente o novo portfolio, foram vendidos 200 PIBBs para compra de FIIs. Os demais PIBBs, salvo alguma mudança significativa, serão vendidos até eu possuir o terço de menor p/vpa do MLCX (25 empresas, portanto).

Portfolio Imóveis:


Alguns detalhes:

FEXC11B teve um peso maior por se tratar de um intermediário de CRIs. Devido à taxa de adm. aceitável e yield bacana preferi suprir minha necessidade de CRIs com apenas esse fundo e o CSBC11.

A alocação do HTMX11B se tratou de uma ordem de compra executada parcialmente. Essa brincadeira me custou 0,6% do investimento, o que pra mim é um custo inaceitável.

Esse portfolio ainda precisa de maior diversificação mas, frente aos poucos FIIs interessantes no mercado, resolvi deixar a alocação um pouco mais concentrada.

Com essa alocação em FIIs minha expectativa é de receber ~R$600,00 por mês em aluguéis.

Portfolio Small/Micro-Cap Value:



Bem, nessa classe temos 28 empresas, sendo 18 small-caps (ou o terço com menor p/vpa do SMLL) e 10 micro-caps.

Investir nas micro-caps foi MUITO difícil. A liquidez delas é péssima. Algumas ações (Como Mendes Júnior, por exemplo) possuem spreads de até 20% e passam semanas a fio sem um trade, quanto mais na ponta compradora. Essa característica torna as mesmas praticamente imunes a investidores institucionais ou com um portfolio muito grande. Aplicações de 20-30k certamente moveriam de forma significativa as empresas menos líquidas. Ordem limitadas são uma obrigação e a liquidez passa a ser um premium. Ou você leva a melhor no bid/ask spread ou você já perde 1 ano de expectativa de retorno em um único trade.

Com isso, várias empresas micro-caps que cumprem os critérios de p/vpa ainda não integraram ao portfolio por problemas de liquidez. Com o tempo esse problema deverá ser minimizado.

Algumas surpresas positivas: SPRI3 (+7% só no Spread, +9,1% total), MRFG3 (+7,66%), INEP4 (+6,85%). Surpresas negativas: ABCB4 (-6,11%), MAGG3 (-5,95%) e, claro, RSID3 (-3,12%). Exceto Gafisa (+3,5%), estou com prejuízo em todas as outras grandes construtoras.

Por que uma alocação reduzida em ELPL4 e ENBR3? Devido à cotação elevada do papel, só pude comprar 100 ações de cada. Com o passar dos meses pegarei parte do aporte mensal para corrigir esse problema.

Valores:


Notas interessantes:

- Em fevereiro já recebi R$79,40 do PRSV11! Não esperava receber nenhum aluguel antes do meio de março!

- Se eu ler mais algum corno escrevendo "MAS VR, VALOR É MUITO MAIS QUE P/VPA LOL!" eu juro que mato um.

- Os aluguéis estão de volta, dessa vez turbinado por yields muito melhores! Possuo a firme expectativa de tornar meu portfolio com custos negativos.

- A partir do mês que vem vocês terão a informação mais importante que estavam faltando: a rentabilidade do mês de cada classe de ativo. Pra isso fiz um sistema de simulações de cotas de fundo que foram um SACO implementar na minha planilha TOSCA. Meu objetivo principal é calcular a correlação dos retornos dos FIIs/Renda Fixa/Large Value/Small Value.

É isso aí pessoal! Um mês épico! Rumo aos R$500k!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Atualização Mensal: Janeiro 2011 (R$198.066,00 +R$910,25)

Obs.: Por efeitos puramente práticos, os cálculos foram feitos até o dia 02/01/2011.

Por muito pouco não fechei o mês no vermelho. Graças a um aporte bem alto (~R$5k, com direito a tirar dinheiro do colchão de segurança, sob pena de não fazer aplicação esse mês), estou parcos 0,46% mais rico. Aplicar o suor de todo o mês para vê-lo derreter quase que instantaneamente é, modestamente, FODA. Coloca-se mais uma camada de concreto no estômago e vamos em frente (ou pra trás...)

Projeção patrimonial:


Portfolio:


Portfolio Detalhado:


  • O empréstimo garantido continua fluindo 1,5% a.m.
  • Seguindo o planejamento para investimento em valor, foram feitas 4 compras: 500 BRTO4 a R$13,14 cada, 1100 JBSS3 a R$6,70 cada, 200 CESP6 a R$28,93 cada e 100 TMAR5 a R$49,26 cada. Se você pegar a cotação atual de cada uma dessas ações vocês verão o FUMO que eu levei da data da compra (28/01 a maioria) até hoje.
  • Obviamente que para realizar as compras acimas foi necessário vender 200 PIBBs a R$95,37 cada (modestamente vendi bem).
  • Próximos objetivos: SANB11, BRML3, USIM5. E já estou fora dos P/VPAs abaixo de 1 nas large-caps.
  • O site da infomoney tem diversos erros na análise fundamentalista. Não usem.
  • Ainda estou lembrado das 100 SUZB5.
Valores:


Será que teremos novidades em fevereiro?

Rumo aos R$200k!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Atualização Mensal: Dezembro 2010 (R$197.155,75 +R$2.312,16)

Obs.: Por efeitos puramente práticos, os cálculos foram feitos até o dia 02/01/2011.

O mês de dezembro sem sombra de dúvidas foi um mês complicado pra mim em termos financeiros. Gastos muuuuito altos com natal e reveillon traduziram-se em investimentos reduzidos no mês. Como o PIBB11 também andou de lado entre os dois fechamentos (mas não no mês em si) o resultado foi um acréscimo de "apenas" ~R$2,3k e o fracasso do objetivo de fechar o ano com os R$200k almejados. Ainda assim, consegui ficar ~1,18% mais rico que o mês anterior.

Apesar dos aportes ligeiramente maiores, o acumulado total (apreciação+juros+aportes) nesses 365 dias foi de ~R$67.000,00, muito menos que os ~R$100.000,00 de 2009. Ainda assim, terminar o ano no verde é muito gratificante, ainda mais quando você possui 85% do seu suor acumulado na bolsa. O valor acumulado total equivale a ~R$183,50 por dia. Economizar todo santo dia esse valor é um feito para praticamente qualquer ser humano de qualquer país.

Quanto a 2011, eu não tenho a mínima idéia do que pode acontecer, tanto comigo quanto com a bolsa. Metas? Continuar juntando, sem me privar demasiadamente, mas sem determinar um valor absoluto. Com um portfolio volátil como o meu, é um exercício fútil tentar chegar a um número. Terminarei a conversão de PIBBs em ações individuais em 2011 e iniciarei meus investimentos em small-caps.

Pra ser bem honesto com vocês, sinto que cheguei num platô dos meus conhecimentos sobre finanças/investimentos. Existem ainda alguns pontos de interrogação, como o efeito momentum e a presença de commodities em portfolios de acumulação/retirada, mas no geral feliz ou infelizmente percebo que os livros e discussões pouco agregam ao meu conhecimento. Os comentários do blog infelizmente tem sido um festival de ignorância, particularmente quanto ao que significa o investimento em valor de forma passiva. O indivíduo investir em ações individuais e sequer saber o que é o fator de risco HML (se é que é, de fato, um fator de risco) mostra quanto o conhecimento nacional se restringe às baboseiras de Márcio Noronha ou às superficialidades de Gustavo Cerbasi, etc. Com a exceção da rede de blogs criada por mim e pelos amigos Guilherme, Henrique e Inv. e Fin. do Valores Reais, HC Investimentos e Investimentos e Finanças respectivamente e posteriormente agregada por diversos outros blogs, não vejo uma discussão ou divulgação da questão dos custos no investimento, da importância e superioridade no longo prazo do investimento passivo, etc. Percebo sim muita preguiça mental, muita ignorância enraizada por fatores emocionais e pouca vontade de descobrir a verdade. Mas vamo que vamo...

Projeção Patrimonial:

Sem novidades.

Portfolio:


Portfolio detalhado:

Foram vendidas 200 PIBBs a R$94,70 cada e compradas 200 SBSP3 a R$42,90 cada, 300 FIBR3 a R$26,77 cada e 400 SUZB5 a R$14,54 cada. Apesar do objetivo ser um portfolio equal-weight, decidi por questões práticas não realizar compras ou vendas no fracionário, pois implicaria em maiores corretagens e praticamente nenhum benefício. Dito isso, ainda comprarei mais 100 SUZB5 mês que vem.

Valores:

É isso aí pessoal, meio sem tempo/paciência pro blog ultimamente. Bom 2011 a todos!

Rumo aos R$200k!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Atualização Mensal: Novembro 2010 (R$194.843,15 +R$5.229,43)

- Everything should be made as simple as possible, but not simpler (Albert Einstein) -

Mais um mês em que a bolsa anda praticamente de lado, mais um mês em que o portfolio do viver de renda segue o mesmo caminho, certo? ERRADO. Graças às sagradas contribuições mensais, consegui ficar ~R$5,2k (ou 2,76%) mais rico que o mês anterior.

Como novidade, esse mês marca o início da alteração do meu método de investimento. Mais informações na parte do portfolio abaixo. Além disso, o portfolio será dividido em duas partes: uma mais genérica (a que eu sempre coloco), e outra detalhando exatamente quais ações compõem o meu portfolio.

Será que eu termino o ano nos R$200k?

Projeção Patrimonial:

Clique para ampliar! (ou não)

Sem grandes novidades por aqui... crescimento graças aos aportes, pois a bolsa pouco me ajudou esse ano (~R$3k). Vamos à parte que interessa.

Portfolio (Classes de ativo):


Portfolio (Detalhamento):


Como vocês podem ver, algumas mudanças por aqui.

Renda fixa:
  • As debêntures da TNL foram pagas antecipadamente em 18/11. Maldita telemar.
  • Parte do empréstimo garantido foi devolvido.

Ações:
  • Pela primeira vez na vida eu comprei uma ação. Ou melhor, 300 delas, da Eletrobrás, a R$22,91 cada.
  • Foram compradas 50 quotas PIBBs a R$95,88 cada.
  • A compra das quotas foi realizada pois parte do empréstimo tinha sido devolvido e eu não tinha decidido se modificaria a estratégia nesse mês ou só no próxima. Por via das dúvidas, resolvi ser cauteloso e comprar PIBBs.
  • A compra das ELET3 marca o início da minha estratégia de investimento de longo-prazo em valor., tanto large-cap como, mais para frente, small-cap. O objetivo de deixar as small-caps mais para frente é para tentar diminuir o sampling error.
  • Por que ELET3? É a ação large-cap com menor P/VPA do mercado.
  • Por que não vender logo tudo e montar o portfolio? Para não gerar IR residual e chamar a atenção do leão.
  • Por que não vender então menos de R$20k em PIBBs esse mês e comprar algumas ações? Pois estou esperando regularizar meu cadastro na Mycap. Ao invés de gastar ~R$40,00 na Link (1 venda + 3 compras), gastarei R$20,00 na Mycap. 20 / 20.000 = 0,1% a.m., ou ~1,2% a.a., praticamente o premium entre um portfolio largecap blend e largecap value. E o premium é mera expectativa de retorno, enquanto que os custos são definitivos.
  • Por que ELET3 e não ELET6? P/VPA menor.
  • Quanto tempo durará esse processo de troca de PIBBs por ações individuais? R$166k/20k =7,99 =~ 8-9 meses, a depender da cotação futura do PIBB.
  • Quando vou explicar com detalhes o meu método de investimento? Quando tiver tempo, mas adiantando de forma mega-resumida trata-se de 2 fundos equal-weighted midlarge-cap value e small-cap value, 50/50.
  • Que sites são utilizados pra se verificar o p/vpa das ações? Fundamentus e Infomoney.
  • Qual a base teórica pra minha mudança? F&F , fundos DFA e muitos outros.
Valores:
Notas relevantes:
  • Passarei a ser mais rigoroso pra adicionar blogs recomendados. Falando nisso, retirei o blog do renda passiva por motivos óbvios.
  • Alguém me explica por que as pessoas físicas não podem investir em BDRs? Investir via fundo nas mesmas é inútil por causa da tributação.
  • Vocês não tem idéia da odisséia que foi criar uma conta de serviços essenciais no Banco Itaú!
  • Minha projeção patrimonial já espera que eu fique R$6,1k mais rico a cada mês. É foda.
Rumo aos R$200k!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quantas ações preciso possuir pra diversificar meu portfolio? - Parte IV


Bem pessoal, apertem os cintos pois esse post será longo (mas EXTREMAMENTE resumido), complexo e com idéias que eu considero bastante interessantes. Pra variar, existe muita pouca coisa escrita sobre isso no Brasil (fora algumas monografias/teses de mestrado sobre o tema), então respirem fundo e vamos lá:

Os três fatores de risco de Fama & French:

Em 1959 Harry Markowitz criou a teoria moderna do portfolio e a noção da fronteira eficiente, conceitos esses já analisados pelo blog. Já na década de 60, baseado no trabalho de Markowitz, Treynor, Sharpe et al criaram o CAPM - Capital Asset Pricing Model que, como o nome diz, é um modelo teórico para determinar o retorno de um ativo. A fórmula descrita pelo CAPM é:

E(R_i) = R_f + \beta_{i}(E(R_m) - R_f)\,

Onde:
  • E(Ri) = Retorno esperado do ativo (a expectativa de retorno do investimento)
  • Rf = Investimento livre de risco (No nosso caso, varia entre poupança ou geralmente o CDI/SELIC)
  • Bi = O famoso Beta. Resumidamente, é a variância do ativo que não pode ser reduzida pela diversificação.
  • E(Rm)-Rf = A diferença entre o retorno livre de risco e o retorno do ativo. No caso das ações, o também famoso equity premium.

Segundo a equação, quanto maior o beta maior a expectativa de retorno da ação. Portanto, a aquisição de ações com betas maiores traria uma maior expectativa de retorno e vice-versa.

O problema do CAPM é que ele quantifica toda a variância do retorno através de um único critério: o beta. Em análises mais recentes, o beta seria capaz de explicar 70% do retorno de um ativo. Um valor significativo, claro. Mas onde estão os demais 30%? É aí que entra o modelo de três fatores de Fama & French.

Em 1993 Fama & French fizeram um estudo que eu considero ser revolucionário. Eles detectaram dois outros fatores que são capazes de explicar o retorno de uma ação: o valor de mercado da mesma e a relação preço / valor patrimonial, descrito na fórmula abaixo:

r=R_{f}+\beta_{3}(K_{m}-R_{f})+bs\cdot SMB+bv\cdot HML+\alpha
Onde:
  • r = Taxa de retorno
  • Rf = Taxa livre de risco
  • Km = Retorno de todo o mercado de ações
  • B3 = Beta.
  • SMB = Small Minus Big, ou a diferença entre o valor de mercado das ações (Large-cap, mid-cap, small-cap ou micro-cap).
  • HML = High Minus Low, ou a diferença entre ações com P/VPAs altos e baixos.
  • a = Alpha, ou o retorno em excesso pelo risco assumido.
Portanto, segundo o modelo de F&F quanto menor o valor de mercado da ação maior a expectativa de retorno da mesma (e maior o risco), e quanto menor o P/VPA maior a expectativa de retorno da mesma (e maior o risco).

A representação gráfica dos premiuns de valor e de tamanho pode ser vista aqui:


Na verdade, existe uma discussão de proporção gigantesca se o SMB e o HML são realmente fatores de risco (ou seja, o retorno maior é justificado pelo risco maior) ou se nada mais são do que ineficiências crônicas do mercado, voltando toda aquela velha discussão sobre a hipótese do mercado eficiente, etc. Existem diversos argumentos pra cada posição, que não colocarei aqui pois esse não é o foco do artigo.

Com o modelo de F&F, cerca de 90%-95% do retorno de um ação pode ser explicado unicamente pelo seu beta, tamanho e valor, antes mesmo de se saber que ações estamos tratando.

Atualmente também se discute sobre um quarto fator de risco, o momento (Momentum) e a liquidez do ativo. Apesar de ter bastante coisa escrita a respeito, como não possuo opinião formada sobre os mesmos também não abordarei aqui.

Outro fato ainda mais interessante é que os fatores de risco possuem uma correlação baixíssima entre si, ao menos no mercado americano, entre 0 e 0,4. Como exemplo, enquanto as ações large-cap de crescimento do mercado americano tiveram um retorno anual negativo nos últimos 10 anos, as ações small-caps de valor tiveram um retorno positivo de 5% a.a. Esse fato cria oportunidades fenomenais de diversificação, com expectativas de retorno semelhantes mas correlações baixas.

Para colocar ainda mais lenha na fogueira, alguns estudos (Bruni, Melloni Jr., Costa Jr. e Neves, etc.) foram feitos testando o modelo de F&F no mercado Brasileiro. Eu estudei todos eles, e em geral foi encontrado positivamente o fator de risco HML (ou value premium), e, para minha surpresa, encontraram um efeito negativo para o SML (small-cap premium). Infelizmente, todos esses estudos pecam pelo período extremamente curto de análise, concentrados entre os anos 90-05. Apesar de incomum, há casos de premiuns negativos por até uma década. Quanto a correlação, meus cálculos vão de encontro a ao menos um dos estudos nacionais. Enquanto o mesmo prevê correlação zero ou negativa para os fatores de risco, ao menos entre large-caps e small-caps eu calculei uma correlação de ~0,88, com dados de retorno da própria bm&f bovespa. Resultados semelhantes foram encontrados pelo colega Henrique do HC Investimentos.

Como se não bastasse a quantidade de informações novas e interessantes, descobriu-se também mais uma anomalia: as ações small-caps de crescimento possuem um desvio padrão maior e uma expectativa de retorno menor que as demais ações. Alguns chamam essa classe do buraco negro dos investimentos. Existe o argumento de que essas ações seriam uma espécie de loteria para os investidores, na eterna busca pelo próximo "foguete" que nunca decola. O histórico desde 1928 da evolução de um portfolio com esses fatores de risco nos EUA pode ser vista nesse gráfico:



Logo, que proveito podemos tirar das descobertas de F&F?
  1. Há uma expectativa de retorno ainda maior para ações small-caps e de valor.
  2. A correlação entre os fatores de risco é baixa o suficiente para se criar portfolios distintos.
  3. Apesar dos dados negativos da bolsa brasileira nos anos 90-05, continuo acreditando no small-cap premium.
  4. Vejam que no item anterior utilizei o verbo acreditar. Não há como ter certeza quanto ao que acontecerá no futuro.
  5. Apesar das ações small-caps e as ações de valor possuirem maior desvio-padrão, o retorno em excesso não é plenamente justificado pela volatilidade maior.
  6. Os fatores de risco não são correlacionados. Você pode juntar dois ao mesmo tempo: ter ações pequenas e de valor ao mesmo tempo.

Eu não tenho a menor dúvida que falei muito rapidamente sobre o tema aqui. Na verdade, esse é um assunto xtremamente vasto e que possui inúmeros detalhes que, apesar de interessantes, fogem ao escopo do artigo. Com o decorrer do tempo irei rever todas essas idéias, com muito mais detalhes. Por exemplo, só a definição do que realmente é uma ação de valor ou o comportamento das mid-caps no modelo F&F3 são fenômenos interessantes que clamam artigos individuais sobre os temas.

No próximo (e último) artigo da série falaremos rapidamente sobre curtose e detalharei como pretendo diversificar minhas futuras compras em ações individuais.

Rumo aos R$200k!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Atualização Mensal: Outubro 2010 (R$189.613,72 +R$4.162,74)

Nota: Por motivos exclusivamente práticos, todos os cálculos foram feitos até 03/11 ao invés de 31/10.

Em um mês unusualmente ativo no blog, tivemos um mês relativamente modesto com relação ao portfolio. Com praticamente R$190k de patrimônio, estou ~R$4k (ou 2,27%) mais rico que o mês anterior.

Os estudos continuam para a implementação da troca de PIBBs por ações individuais. Atualmente as únicas dúvidas são referentes ao ratio large-cap/small-cap e se o(s) fundo(s) será(ão) equal-weighted ou market-weighted, já eliminado o style-weighted. Se alguém tiver artigos ou monografias sobre o tema eu agradeço a indicação.

Projeção patrimonial:

Crescimento estável, seguindo o momento de baixa volatilidade da bolsa brasileira. Desses ~R$190k, ~R$30k (e não R$46k erroneamente informados no mês anterior) são compostos pela apreciação das quotas PIBBs e juros do empréstimo garantido, ~R$19k são de herança antecipada e ~R$141k são puro suor. Ainda assim, é muito bom ver meu patrimônio trabalhando por mim.

Portfolio:
Nesse mês não foram compradas quotas PIBBs. R$3.500,00 foram para o empréstimo garantido. O valor do aporte foi reduzido esse mês devido à provisão de um gasto elevado que terei em Novembro e aos gastos acima da média em Outubro, fazendo-se necessária a recomposição do fundo de emergência.

Valores:
Com um prazo médio de 1,24 ano para a renda variável e 1,21 ano para a renda fixa, meu portfolio ainda é muito novo e portanto muito suscetível a grandes variações de ROI anual que, no entanto, estão em níveis totalmente satisfatórios.

Notas não tão relevantes:
  • A atualização mensal é o único momento do mês em que eu lembro que possuo debêntures no meu portfolio.
  • R$500,00 foram simbolicamente investidos na nova empresa. Agora serão vários meses de muito estudo até a implantação final, o que significa ainda menos tempo para o blog.
  • Commodities possuem beta? E alpha?!? Existe espaço para commodities além de hedge? Ou nem mesmo para proteção? Mais importante, ações possuem alpha?
Rumo aos R$200k!!!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Como projetar o retorno esperado do Ibovespa - Uma visão realista [Guest Post por HC Investimentos]

Como vocês bem sabem, dois pontos nesse blog são cruciais: a qualidade dos textos e a motivação não financeira do mesmo. Portanto, não ganho 1 centavo com o blog nem fico postando qualquer bobagem com objetivo de aumentar tráfego ou coisa do tipo.

Dito isso, gostaria de apresentar-lhes um "guest post" do colega Henrique Carvalho, do HC Investimentos, que é uma das poucas pessoas realmente com conhecimento sobre finanças pessoais e alocação de ativos. Os textos dele possuem muitíssimo mais qualidade do que um Gustavo "previdência privada é um investimento inteligente" Cerbasi da vida.

Sem mais delongas, segue o texto, com considerações minhas ao final:

Como projetar o retorno esperado do Ibovespa – Uma visão realista

Gostaria de agradecer ao meu companheiro de blog Viver de Renda pela oportunidade cedida para escrever neste espaço em que a qualidade preza deste o início, buscando trazer informações práticas e importantes para os leitores, de maneira diferenciada do padrão encontrado pelas comunidades financeiras.

Nesta matéria, tratarei de um tema muito importante para quem busca alcançar a independência financeira: Qual o retorno esperado (futuro) da Bolsa que devo utilizar? Estaremos analisando o retorno real histórico do Ibovespa desde 1994, além de fatores como regressão à média e a comparação dos retornos mundiais para poder estimar de maneira mais realista o retorno futuro da Bolsa brasileira para o longo prazo.

Os erros mais comuns de iniciantes. Num país em que todo mundo quer ficar rico rapidamente, muitas pessoas cometem erros de inciantes na hora de estimar a rentabilidade de seus investimentos no longo prazo. Neste artigo, considerarei apenas o mercado de ações como exemplo, já que é onde mais encontrarmos metas irreais de rentabilidade.

Pequeno teste. Se alguém lhe disser que tem como meta ganhar 20% a.a. na Bolsa você concordaria com este argumento? No mínimo, seria prudente perguntar se esta rentabilidade é líquida e descontada da inflação, afinal, estamos fazendo um planejamento de longo prazo. Portanto, incluir custos e a inflação me parece uma atitude bem prudente.

E agora, 20% a.a. líquidos e descontados da inflação lhe parecem uma taxa possível de ser alcançada no longo prazo? Provavelmente, você deve ter respondido: Não! (Eu espero!). De qualquer modo, vamos analisar ao longo deste artigo quais foram os retornos históricos da Bolsa brasileira (em termos nominais e reais) e o que podemos esperar deste retorno olhando para o futuro.

Retornos Nominais e Reais do Ibovespa desde o período pós-inflacionário (Julho de 1994 até setembro de 2010):


Embora ambos tenham começado do mesmo ponto de partirda, nos 4.000 pontos em julho de 1994, no fechamento de setembro/2010, o Ibovespa nominal terimou em 69.430 pontos e o Ibovespa real em 18.489 pontos.

1ª lição. Sempre considere a inflação quando fizer um planejamento de longo prazo. A rentabilidade nominal anual do Ibovespa neste período foi de 19,93% (próximo dos 20% a.a. que nos referimos na pergunta no início do artigo). Entretanto, devido à uma inflação de 8,29%, a rentabilidade real do Ibovespa foi de 10,75%. Lembrem-se que o correto não é subtrair a inflação, mas sim descontá-la. Veja mais detalhes aqui e aqui.

Retorno real do Ibovespa nos últimos 12 meses:


Considerando a análise do retorno da Bolsa nos últimos 12 meses, percebemos que este tende a variar entre uma faixa definida, entre -50% e +100%. Importante observar que quando o índice se encontra perto destas faixas ele tende a reverter rapidamente. Esse princípio é conhecido como regressão à média. Nada impede que ele saia desta faixa, mas a probabilidade de ocorrência é pequena e bem passível de ser ajustada no longo prazo.

Retorno real do Ibovespa nos últimos 5 anos:

Aumentando a escala temporal de nossa análise, padrões de retornos mais razoáveis começam a emergir. Entretanto, 5 anos ainda é pouco para fazermos uma boa avaliação de longo prazo.

Retorno real do Ibovespa nos últimos 10 anos:

Embora 10 anos também não seja o período mais adequado para análises históricas da rentabilidade real da Bolsa, o pequeno período de observação, de 17 anos ( Julho/1994 – Setembro/2010) dificulta a análise. Porém, já é possível ver que a variação média do retorno real do Ibovespa está em torno de 10%, tendo um limite inferior de 5% e um limite superior perto de 17%.

Comparação da Rentabilidade da Bolsa Brasileira x Bolsas no Mundo:

Além de analisar a rentabilidade histórica do Ibovespa dentro do cenário nacional, por que não compará-la com diversas bolsas mundiais? Afinal, o dinheiro nunca dorme e está sempre em busca de melhores oportunidades.

Retorno real de 17 Bolsas de Valores em 100 anos. Existe uma ótima análise feita anualmente pelo instituto de pesquisa do Credit Suisse com o retorno real de 17 bolsas no mundo todo, cujo tema já foi abordado duas vezes aqui no Viver de Renda. Confira o material aqui [1900 até 2008] e aqui [1900 até 2009]. As análises concluem que o retorno ponderado das 17 bolsas no mundo todo era de 5,2% a.a. no ano de 2008 e passou para 5,4% a.a. em 2009.

E o nosso Ibovespa, com retornos reais anuais em torno de 10%, onde se encaixa nisso?

Existe um gráfico interessante feito pelo New York Times e já disponibilizado pelo Viver de Renda aqui, que mostra uma comparação entre os retornos das principais bolsas dos países desenvolvidos e emergentes:


Brazil-zil-zil! A bolsa de valores brasileira obteve de forma isolada o maior retorno entre as 23 bolsas analisadas, com retornos de 20%, bem próximo dos 19,93% que calculamos como retorno histórico desde 1994.

Uma outra visão sobre o mesmo tema pode ser encontrada no site da iShares nos Estados Unidos. Classificando a tabela dos diversos (e são vários mesmo!) ETFs pelo retorno anual nos útlimos 10 anos, adivinhe quem está na liderança?

Não tem pra ninguém! As bolsas do México, Austrália, Malásia, Coréia do Sul, todas ficaram para trás. Com um retorno anualizado de 18,54% nos últimos 10 anos, a Bolsa brasileira destaca-se das demais. A pergunta que fica é: até quando? Sabemos que, através da lei da gravidade, tudo o que sobe, desce. E se o princípio da regressão à média servir como aviso, é bom não esperar retornos tão elevados do Ibovespa nos próximos 10 anos.

Projetando uma rentabilidade real para o Ibovespa no longo prazo de maneira realista:

Dado que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, olhar somente para o passado não é suficiente para projetarmos o futuro. Portanto, temos de aceitar que existe uma imprevisibilidade dos retornos, embora eles tendem a convergir para uma média.

Uma boa solução para fazer esta estimativa é simplesmente sermos conservadores em nossa análise. Dado que o Brasil teve uma das maiores taxas de crescimento nos últimos 10 anos, espera-se que nos próximos 10 anos esse retorno será menor do que o anterior.

Concluindo

Portanto, sabendo que a rentabilidade real do Ibovespa nos últimos 10 anos foi de 10,75%, poderíamos estimar a rentabilidade futura da Bolsa em torno de 8%, atribuindo uma queda de quase 3% devido a uma situação que parece insustentável. Este é exatamente o número que o Viver de Renda utilizou para fazer sua projeção de rentabilidade no plano de Independência Financeira.

Esperando que o retorno da bolsa brasileira retorne para patamares mais adequados e, levando em consideração que a média histórica das 17 bolsas analisadas em um perído superior a 100 anos é de 5,4% a.a, poderíamos estimar a rentabilidade real da Bolsa brasileira de maneira mais conservadora, entre 6% e 8% para o longo prazo.

Informações Adicionais:

Sobre o autor: Henrique Carvalho

Autor do blog HC Investimentos. É Sócio do Clube de Vienna - Análise Financeira Independente - e trabalha na consultoria Fundo Imobiliário. No Twitter:@hcinvestimentos

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Lendo o artigo do Henrique duas coisas chamaram a minha atenção:

1 - A diversificação pelo tempo funciona. Apesar dos argumentos de Paul Samuelson, Zvi Bodie e Mark Kritzman contra o mesmo, a verdade é que a lei dos grandes números está a favor do investimento com maior expectativa de retorno, e não há "put options", utilidade do dinheiro e mercados "bears" intra-tempo que digam o contrário. Observe que, apesar do desvio-padrão total aumentar pela raiz quadrada do tempo, o desvio-padrão de longos períodos anualizado DIMINUI a medida que o tempo passa. O gráfico do retorno de 10 anos é extremamente elucidativo nesse sentido, com retorno anual real não menor do que 5,08% e com uma volatilidade bastante reduzida quando comparada com os gráficos de 1 e 5 anos.

Ps.: Se você não entendeu nada do parágrafo acima, procure ler sobre "diversificação pelo tempo" ou aguarde meu artigo sobre o tema.

2 - Pequenas diferenças de retorno durante muito tempo fazem uma grande diferença. Não sei se vocês perceberam, mas vejam como um retorno de aproximadamente +50% em 2009 causou um aumento do retorno anual na série 1900-2009 de apenas 0,2%a.a. 0,2% durante um ano não é nada, durante 100 anos de deixam 50% mais rico ao final do período. É possível deduzir dessa verdade matemática a importância do controle dos custos de um investimento, em que pagar 0,1% ao invés de 0,7% de taxa de administração anual causam grandes diferenças lá na frente.

Outro exemplo claro do exemplo acima foi a minha diminuição de expectativa de retorno nominal do portfolio de 1,2% para 1% a.m. Esses 0,2%a.m. modificaram meu aporte necessário mensal de R$2.300,00 para ~R$4.300,00.

Portanto, fiquem de olho nos custos e foquem no longo-prazo!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Simulação dos custos do fundo teórico

Para bom entendedor, meia fórmula basta...

P = R$200.000,00
Tx. = 0,059% a.a.
C = R$5,25

Tx. * P = R$118,00 ($Tx)

x = R$118,00/C = 22,48

22,48/12 = ~1,87.

E a receita dos aluguéis? Deve entrar na fórmula?